30 de outubro de 2014

29 de Outubro: Dia Nacional do Livro!


Hoje é o dia do objeto no qual não só este, mas muitos blogs giram em torno. É aquele amigo de todas as horas, que te diverte e te faz aprender. Aquele mundo em forma de papel e letrinhas, aquela realidade paralela que parece tão real que nos sentimos dentro dela!

O Dia do Livro é comemorado dia 29 de outubro no Brasil por ser este o dia em que se fundou a Biblioteca Nacional (transferida da Real Biblioteca de Portugal). Aconteceu em 1810, mas nosso Brasilzão já editava livros em 1808, após D. João VI fundar a Imprensa Régia. O primeiro livro editado foi "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga.

Desde então, a literatura brasileira deu seus primeiros passos, o que mais futuramente nos levou a grandes nomes, como Machado de Assis, Cecília Meireles, João Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, Mario Quintana, Manuel Bandeira, e tantos outros.


Mas vale lembrar também da literatura estrangeira, com várias histórias do nosso dia a dia (principalmente a nossa geração atual, que ama as "sagas"). Não importa se você gosta de ler romances ou aventuras, comédia ou terror, poesia ou contos: ler é mágico, e neste dia 29 eu te desejo muitos e muitos livros!


"Um livro aberto é um cérebro que fala;
Fechado, um amigo que espera;
Esquecido, uma alma que perdoa;
Destruído, um coração que chora".
-Voltaire
27 de outubro de 2014

Os Herdeiros Dos Titãs II - A Mão do Destino (Eric Musashi)



Há autores nacionais que mereciam sim toda a fama que vemos gringos das grandes sagas épicas receberem (E olha que estes gringos são mestres, hein?). Então, eu começo a resenha dizendo: valorizem os autores do nosso país, eles são incríveis! Eric Musashi me surpreendeu neste último volume da dualogia sobre uma terra que para muitos, estava perdida.



E não faltaram os clássicos elementos de uma boa fantasia: uma mitologia e cultura próprias (muito bem desenvolvidas), jornadas épicas, jogos de poder, criaturas "mágicas", transformação de personagens, e NENHUMA hesitação em se desfazer dos mesmos (risos).  Tudo isso com muuuuuita informação, sem precisar "encher linguiça" em nenhum momento (ainda bem!).

Uma das coisas mais legais neste último volume, é que quando você pensa que já acabou a história, não há o que inventar, é surpreendido com novos conflitos e situações que parecem impossíveis de resolver. E para isso temos sempre Téoder e Arion, pai e filho que têm uma inclinação a salvar o mundo muito grande.

Falando nos personagens, cheguei a ficar bem triste. Poxa Eric, você matou tanta gente legal! :(
Apesar dessa tristeza, o que podemos fazer se as mortes foram necessárias pro desenvolvimento da trama? Para que Arion descobrisse quem realmente é, e a sua verdadeira missão (bem messiânica), foi preciso que muitas pessoas partissem dessa pra uma melhor. Inclusive até, algumas que acreditamos que ficariam com Arion até o fim...

E isso é um reflexo de vida até. Quantos pequenos sacrifícios diários não são precisos para que se atinja um bem maior? O povo de Grabatal passará por algo que muitas nações do nosso mundo passaram. Arion será o herói, o revolucionário, aquele que permitirá que um sistema ruim caia e o povo seja livre. Para isso ele terá que se lapidar e desprender de todos os males do seu coração. Então temos um comparativo: Quem poderá reconhecer o antigo menino rebelde, impulsivo, e com ódio do que a vida lhe reservou depois de se tornar este novo homem: sábio, paciente, desprendido, e que tem a vida apenas como propósito de ajudar?

Téoder é como um Ned Stark (vamos dizer assim para você, fã do R. R. Martin, ter uma ideia) e este é um dos motivos para ser meu personagem preferido. Ele nunca comete injustiças, e apesar de o Béli-Mor estar no poder junto com tantas pessoas corrompidas, ele não deixou que o mesmo acontecesse a ele. É o espelho para seus homens, e também o porto seguro deles, em quem podem confiar. Porém, apesar de Anvaiú, ele também é um homem, sujeito a cometer erros, como todos nós. Arion não podia ter um pai melhor.

Este é um livro de jornadas, de batalhas, de exércitos. Vemos aquela coisa toda crescer, que começou com uma revolta de jovens em Jatitã, lá no primeiro livro. Tem até dragões!  Isso mesmo, DRAGÕES! Todas as cidades se reúnem com seus bélis, imanes, e telapuros para executar com sucesso a missão de desbravar terras até então desconhecidas e trazer glória para o reino de Atala. Porém, não vai ser bem como eles pensam. Sua querida rainha não é tão querida assim.

Falando na rainha, ela foi uma personagem desenvolvida muito bem. A Quetabel é aquela mulher ambiciosa, que sempre quis ascender. Ao mesmo tempo que mostra uma face altiva, poderosa, bela, e certa da verdade... É por dentro fraca e medrosa. De objeto de ódio no primeiro livro, passa pra frágil marionete no segundo. Não sei, de alguma forma ela me cativou, mesmo fazendo todas as escolhas erradas.

Concluindo, eu quero recomendar Os Herdeiros Dos Titãs para você que gosta de fantasias épicas. E para você que também não gosta, pois pode passar a gostar facilmente de um gênero tão legal :)
Este segundo e último livro superou todas as expectativas que eu tinha depois de ler o primeiro. Foi como ter visto o iceberg todo, e não só a ponta...
Parabéns ao autor, e ao nosso Brasil que tem tantos talentos guardadinhos dentro do seu território continental!

Citações - Um gostinho do que está por vir!

"Vive sim, cada dia como se fosse o último. Mas também como se fosse o primeiro. Pois no último dia de tua vida tu só queres falar, e não ouvir. Só queres te divertir, e não planejar. Só queres passar adiante, e não aprender. Mas no primeiro dia tu ouves, aprendes e planejas. O dia de amanhã pode ser o último assim como também pode ser o primeiro. Pode ser o fim, mas também pode ser um recomeço".

"A memória é o toque da eternidade".

"A vida é como uma tocha que é acesa e em seguida atirada ao mar: vemos apenas as águas cada vez mais próximas, sem podermos fazer nada para impedir a sua iminente chegada. Temos um tempo insignificante, se retirado de toda a idade do cosmo, e o que nos resta é tentarmos queimar o máximo possível antes que nos apaguemos. Quanto maior é a chama, mais fala o Ser de nossas bocas. Eis a Plenitude. A Mão do Destino."

"– Quem está aí? – indagou a voz chorosa. – Olá; receio que tu sejas Quetabel; que foste deixada para trás – disse ele, e sorriu. – Deixe-me em paz, estranho! E saia de minha casa! Ele se aproximou, tocando o seu rosto. Ela se sentiu totalmente à sua mercê. – Eu sei como te sentes... – A voz vinha suave e hipnotizadora. – Ele te trocou pela Rainha, e tu nada podes fazer, não é? Mas eu sei que há um modo, um caminho. Tu queres vingança, e acabarás tendo muito mais se te aliares a mim! – C-como assim...? – Tu não desejas ser a Rainha de Grabatal?"

"Nuvens cinzentas atravessavam velozmente o firmamento. O vento sibilava, levando consigo folhas e o resto de vegetação seca que havia naquela paisagem árida. Era fim de tarde, e relâmpagos ribombavam seguidamente. Solitário, com as roupas quase a serem arran-cadas de seu corpo, Arion segurava firmemente a espada. Ele ofegava. Ggggrrrrr! Foi o rosnado. Então veio a primeira sombra. E depois a segunda, a terceira, e tantas que Arion se achou cercado delas. Em sua mão direita, sentia fluírem o calor e o criativo poder etéreo da Dalhebal, o sevaste que tornava tudo possível. Para Arion, era como se estivesse de novo na Floresta Sem Vida, mas não havia mal-estar ou incapacidade de invocar a magia do éter. E eis que a batalha o engolfou. Cercado, sabia que precisaria lutar pela vida. Arion estava só, no meio da tempestade, com lobos querendo sua carne. Aí ouviu uma voz: – Arion, Arion; por que não olhas para mim?"
15 de outubro de 2014

Ouça a trilha sonora de "O Melhor De Mim", de Nicholas Sparks!



Olá pessoal! Alguém aí já leu Nicholas Sparks? Seus romances ficaram bem conhecidos depois da explosão que foi A Última Música, e Querido John (aliás se você ainda não leu, corre aqui e aqui, eu amei!). E o livro que ganhou vida nas telas do cinema desta vez, foi O Melhor De Mim.

O Melhor De Mim - ou The Best Of Me na versão original - conta a história de Dawson e Amanda, dois jovens de mundos diferentes que se vêem apaixonados. Dawson acredita que Amanda vai tirá-lo da vida de crimes que está traçada para ele. Já Amanda, vê ele como um porto seguro, alguém que leva embora todos os seus medos. Mas eles são separados com o fim do verão do último ano de escola. Se encontram de novo, 25 anos depois, no funeral do melhor amigo. Dawson e Amanda vão perceber que nunca tiveram a vida que esperavam e que não conseguiram esquecer o primeiro amor.

O Melhor De Mim estreia 30 de outubro nos cinemas, e a trilha sonora conta com cantores/ bandas como Hunter Hayes , Thomas Rhett, Thompson Praça, e Kacey Musgraves.



17 de julho de 2014

Querida Sue - Jessica Brockmole

imagem: Cantinho da Ju Oliveira

Eu tinha dado uma parada nos romances, mas esse tive que ler! Nunca tinha lido um livro em cartas (exceto As Vantagens de Ser Invisível, mas é um estilo totalmente diferente) ainda mais com essas ligações temporais. A curiosidade de saber o que aconteceu com o romance de Elspeth Dunn e David Graham em meio à Primeira Guerra Mundial (palco de tantos sentimentos descontrolados, tanto bons como ruins) foi meu combustível para a leitura.

Ela, uma poetisa de uma ilhazinha na Escócia, Syke. Mora cercada pelo mar mas morre de medo de água. Ele, um estudante americano de medicina aventureiro, inclinado a fazer as maiores trapalhadas, e cansado de estudar algo que não gosta. Por meio de uma simples carta, começa um amor que sobrevive à duas guerras.

Como todo romance, começa lento e preguiçoso, leve. Aos poucos os dois percebem que um atraso dos correios pode ser torturante. Que a melhor hora do dia é quando chega uma carta cheia de surpresas. Por volta de 1912 à 1917 conhecemos o início de tudo, o amor desabrochando, as dificuldades para cuidar dele... E enquanto isso, o livro intercala os capítulos com a vida de Elspeth e sua filha Margaret em 1940 (Edimburgo), e nos perguntamos porque Sue (como David chamava Elspeth) aconselha sua Margaret a não entregar seu coração para um rapaz na guerra. O que aconteceu com ela e David?

O relacionamento entre mãe e filha fica complicado quando Margaret quer respostas, e uma bomba explode perto da casa estilhaçando coisas e jogando as cartas guardadas por tantos anos no chão. Quem é seu pai? Porque a mãe esconde tanto seu passado? Quem é Sue?

Começa uma busca pelo passado, e será que Margaret gostará do que descobrir?

O livro é pequenininho com uma leitura deliciosa. Ótimo para ler depois de acabar aqueles tijolões de 40327428489 páginas. O que achei legal é que Jessica não deixou as informações muito explícitas, de modo que foram criados vários enigmas para tentarmos descobrir enquanto lemos, que só são resolvidos no final. Claro, uma história escrita em cartas tem esse mistério, justamente por que as informações que recebemos são na maioria das vezes passadas ou futuras, e pouco presentes, como seria numa narração comum. Eu achei que isso poderia deixar a história mal contada ou cheia de lacunas em detalhes, mas a autora conseguiu conduzi-la muito bem, de modo que deu para ter a imagem das cenas muito bem na mente. Tanto em detalhes quanto em intensidade.

É sim um livro otimista, em várias situações que achei que as coisas dariam errado os personagens surpreendiam e encontravam soluções. Não haviam barreiras, e acho que é essa a linda moral da história. O amor de Elspeth e David é tão belo e forte, que duas guerras não conseguiram apagá-lo. Não há barreiras para o amor e a vontade. É uma história de perseverança, perdão, recomeço, e esperança. Tão bela que não temos como acreditar que fomos totalmente conquistados em 255 páginas.

Sejam vocês românticos ou não, aposto que vão adorar!

Citações
"Você pode fazer uma coisa por mim? Quando a véspera se transformar no dia de natal, exatamente à meia noite, vá até o lado de fora e erga o rosto para a lua. Sinta o gosto dos flocos de neve na boca e imagine que eles são meus lábios tocando os seus. Irei para o lado de fora exatamente no mesmo instante. Prometo. Não importa que eu ainda esteja em Paris ou em algum outro lugar da França, fecharei os olhos e imaginarei a mesma coisa. Talvez ela possa de fato tornar-se realidade, nem que seja por um instante. Se um milagre como o nascimento de Nosso Senhor pôde ocorrer numa noite como essa, não será uma grande proeza que nossos espíritos se encontrem."

"Não sei quais serão as opções ao nosso alcance no futuro. Mas precisamos nos preocupar com isso agora? O mundo já tem preocupações suficientes, sem acrescentarmos mais um fio ao emaranhado. Concentre-se apenas em ficar fora do caminho das granadas e das balas, e eu me concentrarei em escrever para você e amá-lo mais a cada dia. Sua, Sue."

"Não se pode acreditar em nada do que é dito em tempos de guerra. As emoções são tão fugazes quanto as noites serenas."

"- Eu nunca o esqueci - disse, finalmente. - Mas vou lembrar por nós duas."

"Você é a razão de eu franzir o cenho ao nascer do sol e sorrir na hora do poente. Franzir o cenho porque tenho de enfrentar o dia sozinho, sem você ao meu lado. Sorrir porque é menos um dia que teremos de passar afastados."

"Aqui estou. Não importa onde eu esteja no mundo, aqui estou."

6 de julho de 2014

O Temor Do Sábio - Patrick Rothfuss


Se vocês me acharam feliz com O Nome Do Vento, não conseguem acreditar como estou com O Temor Do Sábio! Aliás, se vocês não sabem do que estou falando, é só dar uma olhada na resenha do primeiro volume da trilogia.

Terminei esse livro faz umas duas semanas, e estive atolada em provas de modo que deixei pra resenhar agora. Por isso peço desculpas se eu esquecer de algum detalhe. Pois é muuuuita história mesmo nessas 960 páginas!

Para quem não se assusta com livros grandes, tudo certo. Mas para quem se assusta eu digo: no final você vai desejar que tivesse mais 960. A leitura flui bem melhor nesse segundo volume, a narrativa de Rothfuss melhorou significativamente. E a perspectiva de que o terceiro e (infelizmente) último livro não foi lançado ainda ajuda mais ainda naquela vontade de que apareçam magicamente mais páginas para ler.

Enfim, falando agora da história, ela começa muito bem. O meu problema com O Nome Do Vento foi a adaptação. Eu me senti meio perdida nas primeiras páginas, sem saber muito bem o que esperar, e até me entediei um pouco. Quando Kvothe começou a contar sua história ainda demorei um pouco para assimilar os conceitos e as filosofias daquele universo novo. Passado esse período chato que tem na maioria dos livros, não consegui larga-lo até terminar. Já O Temor Do Sábio, tem como um dos pontos positivos a ausência desse período de apresentação (para quem leu na sequencia é mais fácil ainda). Tudo flui desde o começo pois o autor faz jus à sua divisão em dias — lembra que Kvothe ficou de contar sua vida em três dias? — . 

A Crônica do Matador do Rei pode ter aqueles indícios da fantasia, tanto é que é comparada com diversas outras histórias, como de Martin, Tolkien, J.K. Rowling, e até Rick Riordan. Há sim esses traços da ficção, do herói, mas o diferencial é este: em todas as outras histórias o objetivo do protagonista é salvar o mundo. Kvothe tem como objetivo destruir aqueles que destruíram sua família, e conhecer a si mesmo. Ele não é um herói, ele é uma lenda mutável. Por umas vezes é mocinho e por outras é vilão. É uma história bem individualista mesmo.

Em O Temor Do Sábio acompanhamos de perto o crescimento da personagem, e saciamos nossas curiosidades sobre os nomes que ele recebeu ao longo dos anos. O Arcano, O Sem-Sangue, O Matador do Rei. Parcialmente, é claro. Muitos mistérios estão guardados para o último livro. Kvothe diz várias vezes que grande parte de sua reputação foi inventada, entretanto todas as coisas que contam à seu respeito tem um fundo de verdade. Ele é o homem que sobreviveu à Feluriana, a elfa imortal que representa os desejos carnais e sempre mata seus parceiros. Ele é o homem que mesmo sendo um estranho conseguiu se inserir em uma cultura totalmente fechada e aprender nela uma arte marcial que o permite lutar maravilhosamente. É o homem que teve a astúcia para salvar um maer tido como rei. É o homem que faz música tão linda como nenhum outro. 

As férias forçadas da Universidade deixam Kvothe com saudade dos amigos e dos bons tempos por lá, mas são elas que permitem que ele cresça e aprenda tantas outras coisas que aula nenhuma pode ensinar. Quando volta, todos percebem que há algo diferente com ele, algo especial. Não é mais um moleque que impressionava. É um homem, um homem que por onde passa ninguém o esquece. Seja por seus cabelos de chamas, por sua habilidade, inteligência, ou carisma, Kvothe sempre é lembrado. 

Vemos mais a participação de seus amigos Simmon e Wil, e também da bela Feila. Até mesmo de Devi, a usurária de quem eu gostei bastante. Porém meus momentos preferidos mesmo são os que Kvothe passa com Auri, uma garota que é um mistério. Aliás, não consigo esperar para o lançamento de A Música do Silêncio, que é um conto que o Patrick fez com Auri como protagonista. Até agora só temos a capa e a sinopse :( 

E, falemos de Denna, a dama que adora trocar de nome e de lugar. Parece que ela e Kvothe estão sempre se encontrando, não importa o que aconteça. Parece haver um ímã nos dois, que os impede de se separar por muito tempo. A aproximação é lenta, e Denna é muito misteriosa. É preciso muito cuidado para não afastá-la de novo. Ainda assim, Kvothe sente como ela é seu amor de verdade, e mesmo estando com a mulher mais bonita, ou até mesmo perfeita de todo o mundo, Denna ainda é a que ele deseja. Porém não há pressa. É um romance belo e cativante, entre duas personagens cheias de segredos. Uma coisa que achei ótima é que Denna não é só a personagem criada para induzir um romance. Ela está totalmente à altura de amante de Kvothe. Sempre ávida por aventura, é uma música como ele, é esperta e original. E ainda tem uma parte de segredo na história para ser esclarecida no final. 

Sobre a narrativa, já disse sobre a sua fluência, então agora quero falar da riqueza de elementos culturais que o Rothfuss criou. Percebemos elementos orientais, greco-romanos, egípcios. Mas tudo isso são traços, pois a miscigenação inteligente criou um universo novo tão familiar que me pareceu real . É fácil se acostumar com ele e entender sua lógica, tanto que em algumas situações conseguimos deduzir o que pode vir a acontecer. 

Minha nota para este livro é 10, com certeza! Me surpreendeu totalmente em relação ao anterior, e me proporcionou ótimos momentos de diversão. Quem é apaixonado por fantasia como eu não pode deixar de ler! A série está entre minhas preferidas junto com As Crônicas de Gelo e Fogo. 

Citações

“Lembre-se de que há três coisas que todo sábio teme: o mar na tormenta, uma noite sem luar e a ira de um homem gentil.”

"São as perguntas que não sabemos responder que mais nos ensinam. Elas nos ensinam a pensar. Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas."

"Portanto, sim, ele tinha suas falhas, mas que importância tem isso, quando se trata de questões do coração? Amamos aquilo que amamos. A razão não entra nisso. Sob muitos aspectos, o amor insensato é o mais verdadeiro. Qualquer um pode amar uma coisa por causa de. É tão fácil quanto pôr um vintém no bolso. Mas amar algo apesar de, conhecer suas falhas e amá-las também, isso é raro, puro e perfeito."

"Feito uma enorme aranha, um relâmpago faiscou no céu e iluminou tudo, pelo espaço de um longo segundo. Então se foi, deixando-me ofuscado pelo clarão.
- Auri? - chamei-a, temendo que a visão do meu corpo a tivesse feito fugir, assustada.
Houve outro clarão de raio e eu a vi, parada mais perto. Ela apontou para mim, com um sorriso encantado, e disse:
- Você está parecendo um Amyr. O Kvothe é um dos Ciridas."

"Os segredos são dolorosos tesouros da mente. A maioria do que as pessoas pensam como segredo, na verdade, não é nada disso. Os mistérios, por exemplo, não são segredos. Nem o são os fatos pouco conhecidos ou as verdades esquecidas. Segredo, é um conhecimento verdadeiro que é intencionalmente ocultado."

"É melhor ter a boca cheia de veneno do que um segredo no coração. Qualquer idiota é capaz de cuspir o veneno, mas nós guardamos esses tesouros dolorosos. Engolimos em seco todos os dias para contê-los, empurrando-os para baixo, para nossas entranhas mais recônditas. Lá eles permanecem, ganhando peso, supurando. com o tempo, não há como deixarem de esmagar o coração que os contém."