17 de julho de 2014

Querida Sue - Jessica Brockmole

imagem: Cantinho da Ju Oliveira

Eu tinha dado uma parada nos romances, mas esse tive que ler! Nunca tinha lido um livro em cartas (exceto As Vantagens de Ser Invisível, mas é um estilo totalmente diferente) ainda mais com essas ligações temporais. A curiosidade de saber o que aconteceu com o romance de Elspeth Dunn e David Graham em meio à Primeira Guerra Mundial (palco de tantos sentimentos descontrolados, tanto bons como ruins) foi meu combustível para a leitura.

Ela, uma poetisa de uma ilhazinha na Escócia, Syke. Mora cercada pelo mar mas morre de medo de água. Ele, um estudante americano de medicina aventureiro, inclinado a fazer as maiores trapalhadas, e cansado de estudar algo que não gosta. Por meio de uma simples carta, começa um amor que sobrevive à duas guerras.

Como todo romance, começa lento e preguiçoso, leve. Aos poucos os dois percebem que um atraso dos correios pode ser torturante. Que a melhor hora do dia é quando chega uma carta cheia de surpresas. Por volta de 1912 à 1917 conhecemos o início de tudo, o amor desabrochando, as dificuldades para cuidar dele... E enquanto isso, o livro intercala os capítulos com a vida de Elspeth e sua filha Margaret em 1940 (Edimburgo), e nos perguntamos porque Sue (como David chamava Elspeth) aconselha sua Margaret a não entregar seu coração para um rapaz na guerra. O que aconteceu com ela e David?

O relacionamento entre mãe e filha fica complicado quando Margaret quer respostas, e uma bomba explode perto da casa estilhaçando coisas e jogando as cartas guardadas por tantos anos no chão. Quem é seu pai? Porque a mãe esconde tanto seu passado? Quem é Sue?

Começa uma busca pelo passado, e será que Margaret gostará do que descobrir?

O livro é pequenininho com uma leitura deliciosa. Ótimo para ler depois de acabar aqueles tijolões de 40327428489 páginas. O que achei legal é que Jessica não deixou as informações muito explícitas, de modo que foram criados vários enigmas para tentarmos descobrir enquanto lemos, que só são resolvidos no final. Claro, uma história escrita em cartas tem esse mistério, justamente por que as informações que recebemos são na maioria das vezes passadas ou futuras, e pouco presentes, como seria numa narração comum. Eu achei que isso poderia deixar a história mal contada ou cheia de lacunas em detalhes, mas a autora conseguiu conduzi-la muito bem, de modo que deu para ter a imagem das cenas muito bem na mente. Tanto em detalhes quanto em intensidade.

É sim um livro otimista, em várias situações que achei que as coisas dariam errado os personagens surpreendiam e encontravam soluções. Não haviam barreiras, e acho que é essa a linda moral da história. O amor de Elspeth e David é tão belo e forte, que duas guerras não conseguiram apagá-lo. Não há barreiras para o amor e a vontade. É uma história de perseverança, perdão, recomeço, e esperança. Tão bela que não temos como acreditar que fomos totalmente conquistados em 255 páginas.

Sejam vocês românticos ou não, aposto que vão adorar!

Citações
"Você pode fazer uma coisa por mim? Quando a véspera se transformar no dia de natal, exatamente à meia noite, vá até o lado de fora e erga o rosto para a lua. Sinta o gosto dos flocos de neve na boca e imagine que eles são meus lábios tocando os seus. Irei para o lado de fora exatamente no mesmo instante. Prometo. Não importa que eu ainda esteja em Paris ou em algum outro lugar da França, fecharei os olhos e imaginarei a mesma coisa. Talvez ela possa de fato tornar-se realidade, nem que seja por um instante. Se um milagre como o nascimento de Nosso Senhor pôde ocorrer numa noite como essa, não será uma grande proeza que nossos espíritos se encontrem."

"Não sei quais serão as opções ao nosso alcance no futuro. Mas precisamos nos preocupar com isso agora? O mundo já tem preocupações suficientes, sem acrescentarmos mais um fio ao emaranhado. Concentre-se apenas em ficar fora do caminho das granadas e das balas, e eu me concentrarei em escrever para você e amá-lo mais a cada dia. Sua, Sue."

"Não se pode acreditar em nada do que é dito em tempos de guerra. As emoções são tão fugazes quanto as noites serenas."

"- Eu nunca o esqueci - disse, finalmente. - Mas vou lembrar por nós duas."

"Você é a razão de eu franzir o cenho ao nascer do sol e sorrir na hora do poente. Franzir o cenho porque tenho de enfrentar o dia sozinho, sem você ao meu lado. Sorrir porque é menos um dia que teremos de passar afastados."

"Aqui estou. Não importa onde eu esteja no mundo, aqui estou."

6 de julho de 2014

O Temor Do Sábio - Patrick Rothfuss


Se vocês me acharam feliz com O Nome Do Vento, não conseguem acreditar como estou com O Temor Do Sábio! Aliás, se vocês não sabem do que estou falando, é só dar uma olhada na resenha do primeiro volume da trilogia.

Terminei esse livro faz umas duas semanas, e estive atolada em provas de modo que deixei pra resenhar agora. Por isso peço desculpas se eu esquecer de algum detalhe. Pois é muuuuita história mesmo nessas 960 páginas!

Para quem não se assusta com livros grandes, tudo certo. Mas para quem se assusta eu digo: no final você vai desejar que tivesse mais 960. A leitura flui bem melhor nesse segundo volume, a narrativa de Rothfuss melhorou significativamente. E a perspectiva de que o terceiro e (infelizmente) último livro não foi lançado ainda ajuda mais ainda naquela vontade de que apareçam magicamente mais páginas para ler.

Enfim, falando agora da história, ela começa muito bem. O meu problema com O Nome Do Vento foi a adaptação. Eu me senti meio perdida nas primeiras páginas, sem saber muito bem o que esperar, e até me entediei um pouco. Quando Kvothe começou a contar sua história ainda demorei um pouco para assimilar os conceitos e as filosofias daquele universo novo. Passado esse período chato que tem na maioria dos livros, não consegui larga-lo até terminar. Já O Temor Do Sábio, tem como um dos pontos positivos a ausência desse período de apresentação (para quem leu na sequencia é mais fácil ainda). Tudo flui desde o começo pois o autor faz jus à sua divisão em dias — lembra que Kvothe ficou de contar sua vida em três dias? — . 

A Crônica do Matador do Rei pode ter aqueles indícios da fantasia, tanto é que é comparada com diversas outras histórias, como de Martin, Tolkien, J.K. Rowling, e até Rick Riordan. Há sim esses traços da ficção, do herói, mas o diferencial é este: em todas as outras histórias o objetivo do protagonista é salvar o mundo. Kvothe tem como objetivo destruir aqueles que destruíram sua família, e conhecer a si mesmo. Ele não é um herói, ele é uma lenda mutável. Por umas vezes é mocinho e por outras é vilão. É uma história bem individualista mesmo.

Em O Temor Do Sábio acompanhamos de perto o crescimento da personagem, e saciamos nossas curiosidades sobre os nomes que ele recebeu ao longo dos anos. O Arcano, O Sem-Sangue, O Matador do Rei. Parcialmente, é claro. Muitos mistérios estão guardados para o último livro. Kvothe diz várias vezes que grande parte de sua reputação foi inventada, entretanto todas as coisas que contam à seu respeito tem um fundo de verdade. Ele é o homem que sobreviveu à Feluriana, a elfa imortal que representa os desejos carnais e sempre mata seus parceiros. Ele é o homem que mesmo sendo um estranho conseguiu se inserir em uma cultura totalmente fechada e aprender nela uma arte marcial que o permite lutar maravilhosamente. É o homem que teve a astúcia para salvar um maer tido como rei. É o homem que faz música tão linda como nenhum outro. 

As férias forçadas da Universidade deixam Kvothe com saudade dos amigos e dos bons tempos por lá, mas são elas que permitem que ele cresça e aprenda tantas outras coisas que aula nenhuma pode ensinar. Quando volta, todos percebem que há algo diferente com ele, algo especial. Não é mais um moleque que impressionava. É um homem, um homem que por onde passa ninguém o esquece. Seja por seus cabelos de chamas, por sua habilidade, inteligência, ou carisma, Kvothe sempre é lembrado. 

Vemos mais a participação de seus amigos Simmon e Wil, e também da bela Feila. Até mesmo de Devi, a usurária de quem eu gostei bastante. Porém meus momentos preferidos mesmo são os que Kvothe passa com Auri, uma garota que é um mistério. Aliás, não consigo esperar para o lançamento de A Música do Silêncio, que é um conto que o Patrick fez com Auri como protagonista. Até agora só temos a capa e a sinopse :( 

E, falemos de Denna, a dama que adora trocar de nome e de lugar. Parece que ela e Kvothe estão sempre se encontrando, não importa o que aconteça. Parece haver um ímã nos dois, que os impede de se separar por muito tempo. A aproximação é lenta, e Denna é muito misteriosa. É preciso muito cuidado para não afastá-la de novo. Ainda assim, Kvothe sente como ela é seu amor de verdade, e mesmo estando com a mulher mais bonita, ou até mesmo perfeita de todo o mundo, Denna ainda é a que ele deseja. Porém não há pressa. É um romance belo e cativante, entre duas personagens cheias de segredos. Uma coisa que achei ótima é que Denna não é só a personagem criada para induzir um romance. Ela está totalmente à altura de amante de Kvothe. Sempre ávida por aventura, é uma música como ele, é esperta e original. E ainda tem uma parte de segredo na história para ser esclarecida no final. 

Sobre a narrativa, já disse sobre a sua fluência, então agora quero falar da riqueza de elementos culturais que o Rothfuss criou. Percebemos elementos orientais, greco-romanos, egípcios. Mas tudo isso são traços, pois a miscigenação inteligente criou um universo novo tão familiar que me pareceu real . É fácil se acostumar com ele e entender sua lógica, tanto que em algumas situações conseguimos deduzir o que pode vir a acontecer. 

Minha nota para este livro é 10, com certeza! Me surpreendeu totalmente em relação ao anterior, e me proporcionou ótimos momentos de diversão. Quem é apaixonado por fantasia como eu não pode deixar de ler! A série está entre minhas preferidas junto com As Crônicas de Gelo e Fogo. 

Citações

“Lembre-se de que há três coisas que todo sábio teme: o mar na tormenta, uma noite sem luar e a ira de um homem gentil.”

"São as perguntas que não sabemos responder que mais nos ensinam. Elas nos ensinam a pensar. Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas."

"Portanto, sim, ele tinha suas falhas, mas que importância tem isso, quando se trata de questões do coração? Amamos aquilo que amamos. A razão não entra nisso. Sob muitos aspectos, o amor insensato é o mais verdadeiro. Qualquer um pode amar uma coisa por causa de. É tão fácil quanto pôr um vintém no bolso. Mas amar algo apesar de, conhecer suas falhas e amá-las também, isso é raro, puro e perfeito."

"Feito uma enorme aranha, um relâmpago faiscou no céu e iluminou tudo, pelo espaço de um longo segundo. Então se foi, deixando-me ofuscado pelo clarão.
- Auri? - chamei-a, temendo que a visão do meu corpo a tivesse feito fugir, assustada.
Houve outro clarão de raio e eu a vi, parada mais perto. Ela apontou para mim, com um sorriso encantado, e disse:
- Você está parecendo um Amyr. O Kvothe é um dos Ciridas."

"Os segredos são dolorosos tesouros da mente. A maioria do que as pessoas pensam como segredo, na verdade, não é nada disso. Os mistérios, por exemplo, não são segredos. Nem o são os fatos pouco conhecidos ou as verdades esquecidas. Segredo, é um conhecimento verdadeiro que é intencionalmente ocultado."

"É melhor ter a boca cheia de veneno do que um segredo no coração. Qualquer idiota é capaz de cuspir o veneno, mas nós guardamos esses tesouros dolorosos. Engolimos em seco todos os dias para contê-los, empurrando-os para baixo, para nossas entranhas mais recônditas. Lá eles permanecem, ganhando peso, supurando. com o tempo, não há como deixarem de esmagar o coração que os contém."

6 de maio de 2014

Você vai para as Cidades De Papel, e nunca mais voltará...


Hoje, em vez de escrever uma resenha, vou deixar vocês descobrirem por si mesmos sobre Cidades de Papel (esperando que vocês curtam as citações)! Só posso dizer que mais uma vez amei o trabalho do Green, e que me rendeu boas horas de diversão ♥ ♡ ❤

“Talvez seja mais como você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo…as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… E nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. (…) Mas ainda há um tempo entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nos rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros, através das rachaduras deles. (…) Uma vez que o navio se rachar, a luz consegue entrar. E a luz consegue sair. ”

“É possível amar alguém. Mas o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca vai ser páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir dela.”

“É muito difícil ir embora - até você ir embora de fato. E então ir embora se torna simplesmente a coisa mais fácil do mundo.”

“(…) Ela talvez gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um.”

“É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretada.”

“Na minha opinião todo mundo tem seu milagre. Por exemplo, muito provavelmente eu nunca vou ser atingido por um raio, nem ganhar um Prêmio Nobel, nem virar ditador de uma pequena ilha no Pacífico, nem ter um câncer terminal de ouvido, nem sofrer combustão espontânea. Mas, se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos um deles vá acontecer a cada um de nós.”

“Algumas pessoas têm o espírito livre, não se dão bem com os pais. Esses adolescentes são como balões de hélio presos por um barbante. Eles fazem força na direção oposta, até que algo acontece, o barbante se rompe e eles vão embora, voando. E talvez a gente nunca mais os veja. Ou talvez daqui a uns três ou quatro anos, ou três ou quatro dias, os ventos dominantes tragam o balão de volta para casa, seja porque ele precisa de dinheiro ou porque tomou juízo. Mas preste atenção, o barbante sempre arrebenta.”
5 de maio de 2014

O Nome do Vento - Patrick Rothfuss



O enigmático hospedeiro da Pousada Marco do Percurso, nos parece mais do que um homem comum. Há algo estranho, diferente, escondido. Algum segredo enorme por trás dos seus cabelos de chamas. Kote, como se autointitula, mantém o semblante calmo, e anseia por novos clientes, para sempre atendê-los muito bem quando aparecem.

Ele parece ter se esquecido de quem é, de tudo que fez, de tudo que viveu, e não ter nenhuma pressa para sair desse estado insuportável. Até que acontecem coisas que normalmente não deveriam ter acontecido. E por mais que Kvothe insista em ser simplesmente Kote, os demônios não podem ser derrotados com um avental e um saca-rolha, e o hospedeiro não pode cuidar de coisas que o "herói" pode. Além disso, O Cronista traz uma nova perspectiva: três dias para a real história de um homem que recebeu tantos nomes e títulos diferentes ser contada. Três dias para Kvothe descobrir novamente o que é ser ele mesmo. 

A sinopse me deixou intrigada. Como vocês devem ter percebido, sou totalmente apaixonada por essas fantasias medievais, universos paralelos, brigas e rixas de reis, disputa de poder, magia, e personagens enigmáticos. Acontece, que mesmo com um toque de tudo isso que já conhecemos (Nárnia, Westeros, Terra Média, etc) o tal do Patrick Rothfuss fez algo diferente. 

"Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade. Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame. "

O Nome Do Vento, apesar de ter toda essa influência do Martin e do Tolkien quanto à criação de um mundo, não foca a história nos meios geográficos, e sim no próprio personagem. O livro (e a série) são totalmente sobre Kvothe, o que poderia ter sido péssimo se o autor não tivesse criado um personagem tão cativante. A história dele nos prende de duas formas diferentes, muito bem entrelaçadas: o passado grandioso juntamente com o porquê de ter se reduzido a um hospedeiro, e o que acontecerá com ele no futuro.  As linhas da narrativa são duas: em primeiríssima pessoa, por Kvothe, contando sua história ao Cronista, e em terceira (no comecinho, fim do livro, e alguns interlúdios no meio) com os acontecimentos presentes da Pousada Marco do Percurso.

Kvothe é como um bardo totalmente brilhante, que desde pequeno tinha uma inteligência fora do normal, uma capacidade de adaptação incrível, e talento para a música. Confesso que a música me atraiu bastante! 
Quando seus pais morrem, e ele passa a viver miseravelmente, e quase se esquece de quem é. Roubando para comer, dormindo em qualquer buraco mais protegido que pudesse encontrar... Mas lá no fundo estava o Kvothe de sempre, que queria informações sobre o grupo misterioso que assassinou a trupe de seus pais, que queria se tornar Arcanista, que queria ter alguma importância no mundo.

Sabemos que ele é conhecido em todo lugar, que circulam diversas lendas à seu respeito. Matador do Rei, esplêndido músico, herói, vilão... O que nos faz querer ler, é a curiosidade em como o autor vai levar isso. Se o personagem será mesmo à altura de toda essa pompa, que nos leva a ter várias expectativas sobre ele no começo do livro. E foi tudo além das minhas expectativas, pelo menos por enquanto.

É um livro relativamente grande, apesar que depois da Tormenta de Espadas, não consigo considerar 656 páginas algo grande. Até porque quem se interessa por essa tipo de livro já está acostumado com muuuuuuuita história. Esperem só até ver o segundo volume! O Temor do Sábio conta com 960 páginas! 

Como eu disse, a história dele vai ser contada em três dias, cada dia para um livro. Achei isso bem interessante, a questão da narrativa ser em primeira pessoa (algo totalmente diferente em uma fantasia épica) e ter alguns interlúdios, que na minha opinião são mais para que possamos lembrar que aquela é uma história dentro da história do que para sabermos o que está acontecendo no "presente". Me interessei sim pelo que acontecia na Pousada Marco do Percurso, mas a situação na trupe dos Ruh, nas vielas de Tarbean, e na Universidade me deixaram flutuando. 

Achei ótima essa ligação que Patrick fez da magia com a ciência, que em vez de tratá-la como algo mais místico, procurava dar lógica à ela. Mas o mais legal mesmo foi esse princípio dos nomes, presente em várias culturas, de que quando nomeamos algo, damos vida à esse algo... Que os nomes controlam as coisas e exercem grande poder sobre elas. 

E mesmo com tanta coisa acontecendo, este primeiro volume é como uma introdução, contando o período mais ou menos até os dezessete anos de  Kvothe, deixando o leitor ávido por mais. Eu definiria O Nome do Vento como um entrelace de histórias de uma pessoa incrível com muito potencial à ser explorado. Já é um dos meus preferidos!  Se o próximo livro for como este, não vou aguentar esperar muito tempo para tê-lo em mãos...

Citações

“Há três coisas que todo homem sensato deve temer: o mar durante a tempestade, as noites sem luar, e a ira de um homem gentil.”

"Algumas feridas são profundas demais para cicatrizar, ou profundas demais para cicatrizar depressa. Além disso, muitas lembranças são simplesmente dolorosas e não há cura alguma a realizar. O provérbio 'O tempo cura todas as feridas' é falso. O tempo cura a maioria das feridas."

“Não importa como você leve sua vida, sua inteligência o defenderá melhor do que uma espada.”

"[...] Cada um de nós tem duas mentes: a mente desperta e a mente adormecida. Nossa mente desperta é a que pensa, fala e raciocina. Mas a mente adormecida é mais poderosa. Enxerga fundo no cerne das coisas. É a parte de nós que sonha. Ela se lembra de tudo. Dá-nos a intuição. A mente desperta não entende a natureza dos homens. A mente adormecida, sim. Já sabe muitas coisas que a mente desperta não sabe."

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”

“O problema é que ela não se parece com ninguém que eu jamais tenha conhecido. Havia nela algo intangível. Algo cativante, como o calor de uma fogueira. Havia nela uma graça, uma centelha {…} Ela sorriu pra mim. Foi… Tinha uma espécie de… O sorriso entrava no fundo da gente, se entende o que quero dizer. Os olhos eram escuros. Escuros como chocolate, escuros como café, escuros como a madeira polida do alaúde de meu pai. Dispostos num belo rosto oval. Como uma lágrima. Seu sorriso era capaz de fazer o coração de um homem parar. Os lábios eram vermelhos. Não daquele vermelho pintado vulgar que muitas mulheres acreditam torná-las desejáveis. Seus lábios estavam sempre vermelhos, da manhã à noite. Como se , minutos antes de a vermos, ela tivesse comido amoras doces ou bebido sangue do coração. Onde quer que estivesse, ela era o centro de tudo.. Não me entenda mal. Não era espalhafatosa nem fútil. Olhamos para o fogo porque ele lampeja, porque brilha. É a luz que capta nosso olhar, mas o que faz o homem ficar perto do fogo nada tem a ver com sua forma luminosa. O que nos atrai para o fogo é o calor que sentimos ao chegar perto dele."

“Então essa é a diferença entre contar uma história e estar dentro dela: o medo.”

“Quando somos crianças, raramente pensamos no futuro. Esta inocência deixa-nos livres para nos divertirmos como poucos adultos conseguirão. O dia em que nos preocupamos com o futuro é também o dia em que deixamos a infância para trás.”

20 de março de 2014

Alguns tutoriais de marca páginas personalizados


Oi pessoal! Esse post aqui foi programado, porque eu precisei dar uma sumida do mundo. Provas escola, sabe como é né? Mas uma das coisas que mais gosto de fazer é artesanato, e como o blog é literário, achei legal mostrar pra vocês algumas das ideias mais criativas que achei na net ensinando a fazer marcadores.

Quem gosta de ler, geralmente também adora marcadores (eu mesma coleciono) e ter aquele marcador diferente e bonitinho até anima mais ainda a leitura. Sem falar que, além de ser quase uma terapia, você ainda pode fazer pra vender e comprar mais livros com o dinheiro. Os tutoriais não são meus, só estou repassando eles para vocês, ok?




Esse tutorial é da Melina Souza, acho que vocês já conhecem o blog dela ... Não é em vídeo, mas tem várias imagens explicando direitinho como faz. É um pouco mais complicado que os outros que eu escolhi (por precisar de materiais diferentes), mas o resultado é maravilhoso, principalmente pra quem tiver interesse em fazer os marcadores para vender.



Marcadores de Minions

 Esse tutorial é do Show de Artesanto, e é super fácil de fazer, tanto pelo método quanto pelos materiais que você encontra facilmente em qualquer papelaria. E como os minions viraram febre entre as meninas, acho super legal essa ideia.



Diversos (Harry Potter, Moustache , Em Chamas, etc)

Também bem simples, a Allana Bogado dá umas ideias utilizando materiais fáceis de encontrar. Gostei de todos mas meu preferido foi o do Harry! 



Marcador e Bookbag

Capitu já leu?  fica com os créditos. Quando vi esse vídeo nem pensei duas vezes antes de compartilhar com vocês! Ele ensina não só marcadores, como a fazer uma bolsinha super legal para carregar os livros. A ideia do marcador com ímã eu usei e funcionou super bem. Aí vocês vão ver coisas mais praticas, bem no estilo facul que se fazem basicamente com papel, cola, linha, e pano.



 Com Clipes

Fernanda Banderó ensina aqui um estilo de marcadores diferente, com clipes, fitas, botões, e viés. Depende do seu gosto, eu mesma não gosto de usar clipes pra marcar por amassar um pouco a folha do livro... Mas fica lindo, então se você não se importar com as marquinhas aproveita!



Diversos (Batman, Princesas, Corujas, etc)

O ultimo porém não menos importante só vai fazer você gastar tinta da impressora e papel contact. O bom é que com a dica da Tayná Coelho você pode fazer com outras imagens que quiser. 

Espero que vocês tenham gostado. Tem alguma dica para fazer marcadores que não está aqui? Deixe nos comentários! Ou manda a foto do que você fez pra gente!