15 de abril de 2015

Livros e Autoras Feministas


Olá pessoal! Acredito que eu já tenha tratado desse assunto por aqui, mas nunca antes havia mencionado a palavra feminismo. É que eu era feminista sem saber (e talvez, várias de vocês também sejam!). Esse artigo tem um apanhado com os livros principais e alguns links informativos para quem não conhece muito bem o assunto e quer se integrar. 

Mas primeiro, o que é feminismo?

Uma palavra tão mascarada por esteriótipos machistas, que dá medo até nas moças. E falando neles, uma boa forma de começar a explicar é dizendo que o feminismo NÃO é o oposto do machismo. Engraçado, não? Por toda a repugnância e aversão que existe atualmente, até parece que queremos exterminar todos os homens da terra!

Feminismo é a ideia absurda de que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos, independente de raça, religião, opção sexual, ou qualquer outra característica. É a ideia de que merecemos salários iguais, merecemos participação política muito maior, liberdade sobre nosso próprio corpo, sobre nossa sexualidade. Devemos ter o direito de estudar e exercer a profissão que quisermos. De andar maquiadas ou não, de nos relacionarmos amorosamente do jeito que quisermos. Não ouvir as piadinhas de "já pode casar" quando fazemos algo bom para comer, como se fosse algum tipo de obrigação conjugal que temos. Pais, ou mães, conscientes de que obrigações domésticas e com filhos pertencem a ambos e não apenas à mulher. Queremos o fim dos termos "vadia", "biscate", "puta" e afins para garotas que se divertem sem neurose. E igualmente o fim de violências que além de todo o mal natural que causam ainda nos apontam como culpadas. Meninas, não somos diferentes. Não nascemos para satisfazer as necessidades masculinas e muito menos para nos impedir diversões que são para eles quase impostas por um pensamento patriarcal. E o mesmo pensamento também diz que devemos ser recatadas. 

Feminismo é She For She, é Ela por Ela. E sempre temos a pergunta clássica: Mas se o feminismo é uma luta por direitos iguais, por que não se chama humanismo? Simples. A gente precisa entender que por mais que seja uma luta por direitos iguais, é uma luta das mulheres. Somos nós que protagonizamos o movimento simplesmente por sermos o alvo da opressão que vem desde épocas muito remotas. Essa opressão está presente desde a religião até a cultura. É triste perceber que principalmente no Brasil, onde somos mais da metade da população, continuamos sendo minoria no poder. O fato é que: machismo mata e restringe. Feminismo liberta e dá novo sentido para viver.

E isso foi só a pontinha do iceberg. O feminismo também atua a favor das outras minorias de forma indireta e direta. O movimento condena a homofobia, gordofobia, transfobia, racismo, a opressão de classes, capacitismo, e várias outras formas de opressão às minorias. Agora você vai conhecer alguns dos livros mais importantes  e vários sites e outras coisinhas ótimas para TODAS as mulheres.



















































A Mística Feminina, de Betty Friedan 

Já dizia Simone De Beauvoir – outra autora formidável para o movimento – que ninguém nasce mulher, se torna mulher. O que isso quer dizer? Que todos os conceitos de feminilidade que conhecemos não foram necessariamente vindos conosco, foram impostos a nós. E na verdade, se não são todos, são a maioria deles. Salvo nossa condição física, todo o resto é invenção. A Mística Feminina trata essencialmente dessa condição que recebemos e carregamos muitas vezes até hoje. A dona de casa, boa mãe, moça bem comportada. De onde veio a concepção que nós mulheres fomos feitas para isso? Por que não sermos ativas, influentes, fortes?

O Segundo Sexo (Le Deuxième Sexe em francês) de Simone de Beauvoir

Publicado em 1949, é uma das obras mais importantes pro movimento. É uma análise histórica, biológica, social, e psicológica da situação da mulher na sociedade. Lembra da frase sobre se tornar mulher? Aqui isso é destrinchado completamente, o que nos leva a uma profunda reflexão sobre quem somos e quem é esperado que sejamos. E o mais importante: será que é isso que queremos e devemos ser? Como fugir dessa construção já tão enraizada no nosso individual e social?
Simone nos mostra que o erro no mundo é sempre sermos retratadas em função de um homem. Quando na História uma mulher ganha visibilidade se não houver relação importante com alguma figura masculina? Raríssimos casos. 

Política Sexual, de Kate Millett 

É um livro acadêmico, publicado em 1970, que foi resultado da tese de doutorado da Kate na Universidade de Columbia. Trata dos diversos fatores do patriarcado e seu controle sobre a sexualidade feminina nos séculos XIX e XX. Para isso, ela analisa literatura, pintura, filosofia e estudos históricos e antropológicos publicados na época, relacionando-os com a mesma ideologia patriarcal.

Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Adichie

Preciso dizer o quanto eu amo a Chimamanda! Conheci ela por indicações num grupo de feminismo e me apaixonei. Que mulher incrível! Antes de eu falar sobre a obra, veja a palestra da nigeriana. Esse livro ficou popular por coincidir com essa onda atual do feminismo, e por ter sido musicado pela Beyoncé na música Flawless. O que significa ser feminista no século XXI? Por que é tão importante ser? Como é a vida da mulher na Nigéria? Se você pensa que a condição feminina por lá está muito pior do que a nossa, se engana. É mais ou menos assim que todas nós vivemos no mundo, nos melhores casos. A Companhia das Letras disponibiliza o ebook gratuitamente para download!

O Mito da Beleza, de Naomi Wolf

"Estamos em meio a uma violenta reação contra o feminismo que emprega imagens da beleza feminina como uma arma política contra a evolução da mulher: o mito da beleza. (…) À medida que as mulheres se liberaram da mística feminina da domesticidade, o mito da beleza invadiu esse terreno perdido, expandindo-se enquanto a mística definhava, para assumir sua tarefa de controle social."  

Naomi Wolf explica como a mística da beleza tem poder sobre nós em todas as esferas da nossa vida: no mercado de trabalho, na escola, na religião, no sexo, na cultura... Em como somos constantemente controladas por esse desejo de estar no padrão, e até mesmo acima dele. Se não somos os rostinhos bonitos, o que somos? Como essa condição construída pode ser usada para que as mulheres para que se sintam inferiores, e se preocupem em vencê-la em vez de vencer campos considerados importantes, onde predominam os homens? 

As boas mulheres da China, de Xinran

Xinran, uma jornalista chinesa, foi apresentadora de um programa de rádio em Nanquim até por volta de 1997, que se chamava "Palavras na brisa noturna". Xinran é atualmente professora da Universidade de Londres. Nesse programa ela discutia aspectos do cotidiano e dava conselhos às pessoas que ouviam.

Foi realmente um sucesso, e logo várias mulheres se sentiram confiantes para mandar cartas contando os dramas pessoais. Essa obra é uma reunião de algumas das histórias que chegaram ao conhecimento dela a partir daquelas cartas. São narrativas revoltantes e tristes a respeito da condição da mulher na China Socialista, governada por Mao Tse Tung.

When God Was a Woman, de Merlin Stone

História do matriarcado, ou melhor, Pré-História. Nas antigas civilizações pagãs, e mesmo antes de sabermos registrar o que nos acontece, a figura materna era a dominante. Merlin Stone defende a ideia de que na pré-história e nas civilizações antigas a religião baseava-se no culto à Deusa mãe. Stone (não é a única, O Primeiro Sexo, de Elizabeth Gould Davis também destrincha essa teoria) tem uma visão não-cristã sobre a história da criação do "Gênesis". Para ela, essa história é uma narrativa alegórica sobre a divindade hebraica Yavé suplantando a Deusa mãe, que é representada pela árvore da vida, e a religião hebraica suplantando este culto. Segundo Merlin, "o mito de Adão e Eva, tinha sido originalmente concebido para ser usado na contínua batalha levítica para suprimir a religião feminina." Ela demonstra que o tal conhecimento proibido da maçã relaciona-se a sexo, sexualidade, e reprodução, especialmente o conhecimento de que os homens participam da reprodução e que a história descreve o processo pelo qual sociedades matriarcais tradicionais foram substituídas por sociedades patriarcais, que teriam vindo dos indo-europeus.

Female Chauvinist Pigs: Women and the Rise of Raunch Culture,  de Ariel Levy 

Em português, Porcas Chauvinistas: Mulheres e a ascensão da cultura raunch, trata da extrema objetificação da mulher. Uma maneira fácil de definir essa objetificação é por exemplo, nos comerciais de cerveja. Quando eles mostram alguma mulher fora dos padrões de beleza, sem representá-la como serviçal ou recompensa? Nunca! E mesmo com 1/3 dos consumidores de cerveja sendo mulheres, as propagandas são sempre direcionadas aos homens, com "gostosas" servindo, ou aparecendo do além com um súbito interesse quando eles abrem a latinha. 
É uma crítica à cultura raunch americana, que incentiva as mulheres nessa objetificação para si mesmas, para as amigas, para todo mundo; mas é super válida para o Brasil e todas as outras nacionalidades.

Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf

Um ensaio publicado em 1929, baseado em uma série de palestras que ela deu em outubro de 1928 no Newnham College e Girton College, duas escolas para mulheres na Cambridge University. Nesse livro, Vírginia fez uma comparação hipotética bem verdadeira: Se Shakespeare tivesse uma irmã com o mesmo talento, criatividade, e genialidade (ou quem sabe superior), será que ela teria tido o mesmo reconhecimento? A resposta, claramente, é não. Ela cria Judith, a irmã imaginária. Judith, ávida por mais conhecimento e em poder produzir tudo aquilo que suas ideias lhe dariam, ansiaria pela escola, mas apenas Willian iria. E quando fosse pega com um livro, apanharia, já que precisava se preocupar em se tornar uma boa esposa, e não fazer sua mente viajar. E se por ventura, fosse pega trancada num quarto qualquer, rabiscando palavras em folhas, que poderia acontecer?
Ela então fugiria para tentar o teatro, mas seria também rejeitada por lá. 
Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se quiser escrever ficção”. Virginia fala sobre todas as dificuldades que a mulher teve e tem até hoje para escrever. Mesmo sendo um livro de 1929, a gente consegue notar muito bem que a esmagadora maioria é feita de escritor(e)s. Sabe os livros clássicos brasileiros, aqueles que são considerados os melhores do nosso país? Quantos deles foram escritos por mulheres? 
O texto de Aline Valek fala sobre Um Teto Todo Seu e as dificuldades da mulher na literatura.


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26 de março de 2015

A Playlist de Hayden: Primeiras Impressões e Primeiras Músicas


Hoje eu trago para vocês minhas primeiras impressões do livro A Playlist de Hayden. Recebi a premissa da Editora Novo Conceito para degustar os oito capítulos iniciais, e já estou ansiosa pelo resto!

"Para Sam. Ouça. Você vai entender." - Hayden se suicida e deixa para seu melhor amigo esse bilhete e um pen drive cheio de músicas. E é claro que Sam está doente de ódio. Ele não consegue aceitar que a pessoa que mais o entendia no mundo simplesmente se foi. E o pior de tudo é que os motivos não eram tão difíceis de adivinhar. Todo mundo tem um limite, e o de Hayden já tinha sido passado há muito tempo.

"[...] A cerimônia já estava quinze minutos atrasada e eu ainda podia ouvir gente chegando atrás de mim. Para um cara que tinha praticamente um único amigo, aquele funeral estava bastante lotado. Ele teria odiado tudo aquilo, eu tinha certeza. Ele estaria sentado ali atrás, junto comigo."

É, gente... Estamos mais uma vez acompanhando as consequências que o bullying pode ter na vida das pessoas. Michelle soube lidar muito bem com o tema, de forma que o sofrimento nos era apresentado, mas sem saturar o livro de momentos ruins. Hayden era perseguido pelo seu irmão Ryan e os amigos dele. E claro, por mais que a gente pense que o mundo está evoluído o bastante para que alguém não seja totalmente exilado e desprezado por estar acima do peso, isso acontece com frequência. Temos alguns flashbacks das humilhações que Sam e Hayden passaram, mas eles conseguiam de certa forma levar na brincadeira, já que tinham um ao outro, e muitos RPG's para jogar. Ou quem sabe maratonas de Star Wars para assistir.

Apesar de sabermos que o Hayden já não aguentava mais; o real motivo, o estopim, o detonador para que ele resolvesse por um fim definitivo a sua vida permanece um mistério. Por isso, Sam está determinado a descobrir o que aconteceu naquela festa, e o significado da playlist. Bons ventos trazem uma nova amiga enigmática, Astrid, que parece conhecer Hayden muito bem. Apesar daquele namorado hipster estar sempre por perto, Sam não consegue evitar de sentir alguma coisa por ela. Pelo jeito as garotas nerds, ainda mais bonitas como Astrid, estavam em falta.

"– Você também ouviu isso? – perguntei. Será que aquilo era algum tipo de piada? Uma garota que me segue até minha loja preferida e sabe tudo sobre as coisas que eu gosto? – De qualquer forma, essas miniaturas me fazem lembrar do personagem de Hayden em Mage Warfare. – Esperei que Astrid me perguntasse que diabos era aquilo, mas ela não fez isso. Tudo ficava cada vez mais estranho, só que de um jeito incrível."

E tudo fica mais estranho quando numa madrugada, alguém entra na conta do Hayden no Mage Warfare. O Arquimago_Ged parecia conhecer muito o garoto, e começa a se vingar da tríade do bullying (como Sam e Hayden costumavam chamar Ryan, Jason, e Trevor).

Uma história sobre amizade, perda, injustiça, suspense, amor e nerdices. A leitura é muito rápida, e mais gostosa de fazer escutando as músicas da playlist, que vem em cada capítulo. O livro de estréia de Falkoff não traz mais do mesmo, e sim algo que muitas vezes é tratado de forma banal, mas que foi destrinchado com maestria. Estou ansiosa pelo lançamento, que será dia 6 de abril.

E para entrar no clima, que tal conhecer um pedacinho da playlist?

21 de março de 2015

A Rainha Normanda (Shadow on the Crown) - Patricia Bracewell


Voltando para as minhas habituais leituras (ou melhor, minhas leituras preferidas), hoje eu trago mais "fantasia" medieval! Mas dessa vez a fantasia não é puramente ficcional, e mais pontos A Rainha Normanda ganha comigo por seu enredo pertencer a história real de nosso mundo. Ela conta a trajetória de Emma da Normandia, a irmã do duque Richard, que com 15 anos atravessou o Mar Estreito para ser rainha da Inglaterra. 

Mathilde era mais velha, e portanto, mais propensa a ser enviada para um casamento. Emma temia por todos os momentos juntas que não teriam mais, e pelos desafios que sua irmã enfrentaria, mas ficava feliz por ela. Porém, os planos de sua família não eram fazer de Mathilde mulher de Æthelred II. Ela tinha a saúde fraca e a mente não muito mais forte, ao menos o suficiente para viver entre as tramas do poder. Tinha de ser Emma, isso era claro como a água. Entretanto, ela sabia todas as coisas horríveis que iria passar, e isso não a fazia nem um pouco feliz. E por incrível que pareça, nem mesmo Mathilde, que acabou culpando-a por ter usurpado seu lugar. 

O que Emma encontrou na Inglaterra? Clima fechado, mas não tão fechado e lacônico quanto seu marido. Ter esperado até o dia da cerimônia matrimonial para ver Emma era apenas um pequeno indício do descaso que Æthelred teria com ela de agora em diante. Apesar da coroa em sua cabeça, vivia como uma prisioneira, e não como uma rainha. Não participava de conselhos, não podia ir para onde bem entendesse, não tinha suas opiniões aceitas, e era alvo para dardo na corte. Apesar de ter conquistado a afeição de seus súditos e de vários nobres, tinha vários inimigos que nem ao menos conhecia. Contudo, estava resignada a cumprir a missão que sua mãe lhe deu: ser a negociadora da paz, aquela que aguentaria as marés revoltas e colocaria panos quentes para que o reino prosperasse. E para tal, precisava de um mínimo de reconhecimento e voz, algo que só ganharia dando um filho para seu rei.

Lady Elgiva da Nortúmbria é uma moça ambiciosa. Não é riqueza ou amor que ela busca: é poder. Filha do Conde Ælfhelm, não está satisfeita com sua posição social. Não quando para ela foi premeditada uma coroa. Armada de sua sagacidade e notória beleza, Elgiva sabe que Emma é sua maior inimiga. E está disposta a ganhar esse jogo, custe o que custar. Logo ela se torna amante do rei e informante de seu pai, que também tem planos bem divergentes daqueles do seu governante. Incomodada em se sentir como uma peça de um jogo muito complicado que desconhece, Elgiva segue adiante, esperando ser recompensada com o profético sonho se tornando realidade.

Æthelred tem medo. Medo do fantasma do seu irmão, que morreu para que ele subisse ao trono. Aquela maldição nunca o deixa em paz! É a vingança de Deus para um homem tão incrustado de pecados. É por isso que Æthelred  não confia em ninguém, muito menos na sua esposa normanda. Essa, era uma compra que ele definitivamente não queria fazer. Onde estava com a cabeça quando foi escutar seus conselheiros estúpidos cacarejando que Æthelred  precisava de uma consorte? E mais tolo foi ele ainda, quando cedeu às exigências de Richard, e deu para ela uma coroa. Que Emma aproveitasse seu adorno: ele não dividiria o poder com ninguém.

Athelstan está se revoltando constantemente. Como poderia não estar? Seu pai apenas toma decisões insanas, cruéis, e inconsequentes. O Massacre do Dia de São Brício foi uma carnificina que ele não consegue acreditar. Æthelred era um louco ou tolo? Provavelmente ambos. O fato é que como herdeiro e filho, ele estava doente de preocupação com o reino que seria seu um dia. Os dinamarqueses não deixariam tal afronta sem resposta, e vingariam todos os seus mortos. Sem nunca ser ouvido por seu pai, ele pesa a prudência e a honra, ao refletir se o melhor para todos não seria tentar reivindicar o trono antes que não haja mais nada para governar. Enquanto isso, seu coração é estrangulado por Emma ter sido entregue para Æthelred, e não para ele. 


"Uma envolvente história sobre poder e amor proibido numa corte medieval". De fato, é isso que você encontrará em A Rainha Normanda, contada pelos argumentos desses quatro personagens. Porém, não é apenas ao arroz com feijão da fantasia que essa obra se limita. Ela vai fundo no cerne humano da época. Patricia provavelmente se debruçou em pesquisas sobre essa era, e retratou perfeitamente o que imaginávamos entre o período do rei Artur e a rainha Elizabeth I. Pessoas com foco em seus interesses pessoais, mas guiadas pela necessidade de sobrevivência de suas famílias e o sentimento cristão (religião praticamente unânime até então). Outras, com o foco apenas nelas mesmas. Pessoas que destruiriam um reino inteiro pela segurança do seu. 

E tirando a parte psicológica, histórica, e política, que já constatei como são impecáveis, quero ressaltar agora o romance. O interessante cotidiano na corte e os acontecimentos dignos de filme me prenderam como pesadas correntes. As vivências de Emma e todas as suas dificuldades nos fazem torcer por ela, e imaginar se a verdadeira Emma também teve tais desafios. Sem dúvida eles foram muitos. A própria história de amor com Athelstan, que serviu para regar as páginas com um pouco de luz solar foi bem sofrida. 

A Rainha Normanda nasceu da Crônica Anglo-Saxã, mencionada no início de vários capítulos, numa página especial com belos arabescos. A capa é encantadora, parecida com a original. Há um mapa, o charme desse gênero de livro, e também um glossário que nos familiariza com os termos peculiares utilizados. Para quem gosta de  História, de confrontos internos e externos de um reinado, e de como uma individualidade pode se inserir num contexto tão conturbado, não há tempo a perder. Vocês serão agraciados com uma obra maravilhosa, de qualidade inquestionável. 


"Era a terceira ocasião em que a coisa que fora o seu irmão aparecia daquela maneira à sua frente, encarando-o com um brilho úmido nos olhos. Ele o vira pela primeira vez um mês antes, pairando como um pássaro monstruoso acima de sua mãe moribunda. Três dias depois, quando Æthelred acompanhava o corpo da rainha viúva para seu último lar, na Abadia de Wherwell, vislumbrou o rosto de Edward fitando-o, uma sombra mais escura em meio a todas as outras da capela. Agora ele aparecera de novo para atormentá-lo. Seria seu wyrd, sua sina, receber sempre a visita desse irmão morto, agora que, das pessoas que o tinham visto morrer, só restava Æthelred vivo? O que atraía os mortos e os fazia virem andar entre os vivos? E o que seria preciso para mandar a coisa de volta para seu túmulo?"

"Emma não lamentou ter que se retirar. Forkbeard a cumprimentou com olhos frios, ferozes e calculistas, e um aceno silencioso da cabeça. Seu olhar melancólico pareceu avaliá-la como se fosse não uma mulher, mas uma mercadoria passível de compra e venda – uma bugiganga que se pudesse adquirir no mercado em Rouen. Ela enrubesceu sob aquele olhar fixo e repulsivo, e teve vontade de sair correndo dali. Mas obrigou-se a deixar o salão lentamente, o queixo erguido, consciente de todos aqueles homens do mar ao seu redor, que a esquadrinhavam com olhos impiedosos."

"... Emma teve a impressão de que haviam chegado a uma época em que o amor não tinha lugar. Que era algo a ser apagado, queimado e descartado, deixando espeço apenas para o ódio, o medo e, na melhor das hipóteses, uma fria aliança ocasional. O amor que ela própria sentira – pela criança que tinha perdido, por ..., até por seus parentes normandos – nada lhe trouxera além de dor. O amor pertencia a um outro mundo. Talvez pudesse ser encontrado após a morte, mas seria imprudente, pensou, procurá-lo durante a vida."

"Ela fez o circuito da clareira entre os carvalhos, três vezes ao redor e três vezes de volta, sussurrando feitiços de proteção. Houvera um presságio naquela noite: uma cortina de luz vermelha brilhara e dançara no céu da meia-noite como seda escarlate lançada contra as estrelas. Certa vez, no ano anterior ao de seu nascimento, uma luz como aquela tinha assinalado a morte de um membro da realeza. Agora certamente assinalava outra, e, embora sua magia não pudesse banir a morte, ela entrelaçou feitiços enquanto andava em círculos para afastar desgraças que pudessem cair sobre o reino."

"–Darei meu apoio a Hilde – garantiu –, e oferecerei a ela todos os conselhos de que precisar.
O velho não respondeu, mas beijou-lhe a mão. Ao vê-lo sair, Emma refletiu sobre a disposição dele de correr o risco de desagradar o seu rei para ir atrás de um filho infiel, cujos atos haviam desonrado o nome de seu pai.
Se os filhos do rei cometessem algum ato condenável, ela duvidava que Æthelred estivesse disposto a perdoar."
13 de março de 2015

Álbum de Casamento (Série Quarteto de Noivas) - Nora Roberts


Esse é o primeiro livro da série do Quarteto de Noivas. Não é muito o estilo que escrevo aqui, né? Ultimamente, tenho caído de cabeça nesse gênero! Eu tenho escutado tanto o pessoal falar bem da Nora, e especificamente dessa série... Aí li umas resenhas, me interessei, e estou aqui para dar o meu parecer.

Para introduzir, tudo começou quando elas eram apenas crianças. As amigas Mackensie, Emma, Laurel, e Parker só faziam uma coisa: brincar de casamento. Se casavam entre si, com os bichos de pelúcia, com o cachorro, e até com o irmão de uma delas. Era despretensioso e leve. Mac não gostava tanto da brincadeira como Parker, mas mesmo assim se divertia. Para ela, era ótimo estar em boa companhia, de pessoas que realmente se importavam com ela.

Quando fez oito anos, ganhou uma Nikon de seu pai. Se sentiu agradecida, mas isso não aplacou a amargura que tinha pela ausência dele. Mesmo sob vários protestos (vocês os conhecem bem: "ela é uma criança, que irresponsabilidade dar-lhe uma câmera de adulto!") ela continuava fotografando. No início, as fotos eram sempre horríveis. Todas embaçadas, fora de foco, escuras, e feias. Isso a desanimou um pouco, só que em uma dessas brincadeiras de casamento tudo mudou. Mac descobriu aquilo que iria fazer com muito amor pelo resto da vida.

Um momento sublime se formou diante dos seus olhos e da sua lente. Suas amigas lindas, arrumadas em seus vestidos, todas juntas, embaixo do caramanchão cheio de rosas brancas. E então, passa uma borboleta azul, que pousa no buquê de Emma. Todas elas se viraram com uma expressão alegre e um pouco surpresa. Mac só teve que capturar aquilo. Um clique preciso e perfeito, executado com um talento que a menina não sabia que tinha. E então, ela eternizou aquele momento feliz. Contra todas as reclamações de sua avó, aquela foto era uma verdadeira obra de arte.

Anos depois, as quatro fundaram a Votos, uma empresa que organiza casamentos com maestria. A antiga mansão dos Browns, pais de Parker, precisava de um novo destino com a morte deles. E que destino melhor para aquela linda casa gigante do que reunir todas elas em um negócio de sucesso? Afastou as tristezas e permitiu um recomeço que trouxe uma base sólida para a vida das amigas.

A Votos existe para fazer o tal grande dia ser o mais feliz de todos. E a Mac trabalha para que o cliente possa guardar esse dia para sempre, mesmo depois que sua mente já nem recorde mais como foram as coisas. Quando as noivas quisessem, bastava olhar as fotografias. Era nisso que era boa: capturava o momento mais bonito.

O grande porém disso tudo, é que mesmo com todos esses aspectos da vida resolvidos maravilhosamente, nenhuma das quatro conseguiu ser bem sucedida na própria vida amorosa. Mac vivia fotografando sorrisos, juras de amor, vestidos brancos e flores. Porém, sempre acreditou que esse mesmo amor era líquido, ou até mesmo gasoso. Algo no qual ela não confiava, que ela não queria se entregar. E é claro que isso vai mudar!

Carter é professor de inglês no colégio em que estudou. Usa paletó de tweed e tem um gato. Gosta de Shakespeare e de uma certa ruiva desde o ensino médio. Acontece que Mac nunca o notou, e isso foi mesmo culpa dele. Carter nunca teve coragem para tentar algo com ela. Talvez, aquilo que ele sonhava desde que era só um adolescente pudesse de fato acontecer.

Numa reunião super corrida, Mac estava no seu estúdio trabalhando. Na verdade, tomando um refrigerante, (por que são sempre os refrigerantes que unem as pessoas?) quando Carter deu de cara na sua porta. E Mac pensava que só os passarinhos não percebiam que havia vidro ali. Com o susto, o refrigerante caiu nas suas roupas, e quando foi cuidar da cabeça machucada de Carter, nem percebeu que estava só de sutiã. E foi dessa maneira constrangedora e atrapalhada que os dois "se conheceram". Carter estava fugindo da tal reunião. Ao que parece não era tão divertido para ele quanto para sua irmã discutir os mínimos detalhes do casamento dela, mas as coisas se desenrolaram de uma maneira ótima para ele também.

Linda nunca foi uma boa mãe, muito menos uma boa pessoa. Ela além de ser completamente problemática, tem o péssimo hábito de afundar junto consigo mesma todos que estão ao seu redor. Linda faz de novo o que Mac já não aguenta mais: suas ligações pingando de chantagens emocionais. Dessa vez ela quer 3 mil dólares para passar uma semana em um spa. Um dos maiores motivos para Mac não acreditar no amor é sua mãe, que troca mais de relacionamentos que de meias, e que não entra em nenhum deles se não houver certo interesse por trás.

Esse é o ponto fraco de Mac, e Linda o conhece muito bem. Ela não consegue dizer não para a mãe. E toda vez que isso acontece, explode de frustração. E quem a levou pra uma caminhada na neve quando tudo que queria era beber até dormir? Isso mesmo, Carter.

E foi uma das minhas cenas preferidas! É nela que a gente começa a conhecer melhor o Carter, e o que ele e Mac irão se tornar. Ele foi meu personagem preferido, sem dúvida. Ao mesmo tempo que Carter é como um sonho, ele é extremamente real. Não, ele não tem aquele quê de príncipe encantado, mas é melhor do que um. Carter é professor de inglês, aspirante a romancista. Ele é aquele cara pacato, meio atrapalhado, mas muito fofo e sério nas horas em que se precisa dele. A imagem que tive de Carter é de um dia calmo de primavera: quente e acolhedor. Mas essa brisa pode muito bem virar uma tempestade com a motivação certa (né, Mac?). Ele acredita nos relacionamentos. E apesar de todas essas características que a gente sempre busca em alguém e é tão difícil de achar, ele me pareceu super real. Quase pude abraçá-lo nos momentos que a Mac ficava toda "AH NÃO, AMOR NÃO!!!!!!!!"

Em alguns momentos essa resistência da Mac me deixou meio brava, só que ela foi totalmente necessária. A Mac tem um passado complicado, que deixou muitas sequelas na sua personalidade atual. E isso foi bem descrito pela Nora, numa construção impecável. Mac foi caindo aos poucos, até que disse adeus aos exemplos que teve de Linda, e aos que não teve do seu pai, já que ele nunca estava presente.

E falando em Linda, apesar de eu ter odiado completamente tudo que ela fez o livro todo, foi uma personagem muito interessante e bem construída. Eu pude perceber claramente a loucura em toda frase que ela proferia. O ponto forte da Nora nesse livro, além da boa ambientação (com cenas deliciosas de se ler) foi a construção dos personagens. Todos eles me agradaram, todos eles foram únicos e especiais. Não dava para confundir nunca um com o outro; e sabe aquela sensação de que eles são pessoas como nós, palpáveis e concretas? Então, isso é algo que você vai encontrar em Álbum de Casamento. Sem falar que já deu pra ter uma ideia do que esperar para os próximos livros, em que as protagonistas serão as outras amigas.

O outro ponto forte, que eu ainda não mencionei, mas que foi uma das partes mais interessantes pro enredo é a proximidade que podemos ter com esse mundo da organização de casamentos. Os detalhes da fotografia, os corre-corres para organizar as festas (que rendiam ótimas cenas também), como Mac trabalhava, como Parker trabalhava, como Emma e Laurel também. Até o ambiente profissional de Carter foi apresentado de forma completa para nós, tanto que eu me senti dentro daquela escola.

Nora Roberts iniciou O Quarteto de Noivas com o pé direito! Amantes da "literatura mulherzinha", esse livro é para vocês. Leia um trecho da obra.



" - Vai querer me ver outra vez? (...)
- Liste cinco razões para querer voltar a me ver.
- Tem que ser em ordem de prioridade?
- Não. Mas seja rápido. Liste as cinco primeiras que lhe vierem à cabeça.
- Ok. Gosto do seu jeito de andar. Acho você bonita. Quero saber mais a seu respeito. Quero dormir com você. E, quando estamos juntos, eu sinto.
- Sente o quê?
- Apenas sinto"

“Queria simplesmente deixar para lá e registrar o acontecimento na lista dos Momentos Embaraçosos do Carter. Mas não conseguia parar de pensar nisso. Nela.”

"Dessa vez tinha certeza de que a imagem não ia ficar desfocada, escura, sem definição ou descolorida. Seu polegar não taparia a lente. Sabia exatamente como a foto ia ficar, sabia que a avó, no fim das contas, estava errada. Ser feliz para sempre talvez fosse conversa fiada, mas ela sabia que queria tirar mais fotos de momentos que fossem felizes. Porque, assim, eles permaneceriam para sempre."

“— Tive que fazer. Foi uma questão de sobrevivência. E também pra preservar o Carter. Achei que a excitação fosse passar depois do sexo, não sabia que ia ficar toda melosa. Isso é demais para mim. Ele é demais para mim. É doce e divertido, inteligente e verdadeiramente gentil. É sexy e usa aqueles óculos. Fica com as orelhas vermelhinhas. Adora dar aula. Eu o vi dando aula e… ficou tudo gravado aqui. — Mac pôs uma das mãos entre os seios. — Todos esses sentimentos e o desejo ficaram amontoados aqui."

"Fofo, pensou quando foi pegar o casaco e o cachecol. Muito, muito fofo. Já teria reparado nisso na época da escola? Talvez ele só tivesse se desenvolvido mais tarde. Mas se desenvolveu muito bem. O bastante para que ela sentisse uma pontinha de tristeza ao pensar que ele era o noivo. Mas ele era o irmão da noiva, e isso mudava tudo. Quer dizer, se estivesse interessada."

"Pegou a xícara de chá mais próxima e bebeu tudo.
— Ele presta atenção. Ele ouve e pensa a respeito do que eu falo. E me faz pensar.
— É óbvio que ele precisava ser detido. — Laurel balançou a cabeça."

7 de março de 2015

Papel, Caneta, e Ação! - Thati Machado, Clara Savelli, e Aimée Oliveira


Cinderela morre de medo de se expor. Na verdade, é melhor chamá-la de Cindy. A exposição já começa quando recebeu um nome tão chamativo como esse. Mas se seu pai achou uma linda homenagem aos contos de fada, então, o que Cindy poderia fazer? Provavelmente isso só foi um agravante para sua falta de rebolado no meio social e artístico. New York é a cidade das oportunidades? Com certeza. Só que é preciso estar atento, ou pelo menos disponível para pegá-las.
A vida de ilustradora não é nada fácil. Principalmente por ser tão desvalorizada. Afinal, quase todo mundo achava que ela tinha que arrumar um emprego de verdade. Deveria ser fácil pra quem tem talento, não é? Tudo que Cinderela precisava era de um empurrãozinho: sua capa pro livro Escrito na Areia. Uma alavancada na vida profissional é ótimo negócio pra todo mundo, ainda mais quando um novo amor vem de brinde. Ele ser um chefe chato é só um detalhe!

Lucy Closs está radiante. Aquilo que começou como uma história só dela, acabou virando um best-seller. Tudo por causa de Roxy, sua melhor amiga que jogou os textos aos sete ventos sem que Lucy sequer sonhasse. O pessoal na internet gostou tanto de Escrito na Areia que não demorou até ele estar lindo, maravilhoso (obrigada pela capa, Cinderela), e na lista de mais vendidos. Isso já era sucesso o suficiente, e sonho realizado o suficiente. Só que as tais oportunidades parecem não ter fim. Vem aí uma adaptação cinematográfica do livro de Lucy, e ela não sabe muito bem o que esperar. Só consegue ter certeza mesmo de que o filme será incrível, e trabalhar com o tal diretor, interessante.

Ana Luna está lisa! Veio do México, em busca de oportunidades. Essa é uma situação bem comum... Pra uma menina incomum. Os bicos que ela consegue fazer de vez em quando não vão sustentá-la por muito tempo, mas mesmo assim ela não quer desistir de ser atriz. Sua perseverança é recompensada pela vida, que finalmente resolver lhe jogar a corda com a boia, e desprender a âncora. Ana Luna vai ser Lauren, a mocinha de Escrito na Areia, e isso muda tudo! De uma hora pra outra a sua vida vira de cabeça para baixo, e junto com a fama e o sucesso profissional, novamente o amor aparece de bônus. Acontece que ela não se sente nem um pouco bem vendendo a imagem do casal de filme que se junta na vida real, quando na verdade está apaixonada pela vilã.

Papel, Caneta, e Ação é uma reunião de três contos, sobre três amigas unidas por um livro. Esse livro muda a vida de todas elas, e as aproxima. Quem diria que tão diferentes, elas se entenderiam?
Em cada um desses contos, temos relances das outras histórias, com cenas quase que compartilhadas. Esse foi um ponto que eu gostei muito: poder ver mais tarde o mesmo acontecimento de um outro ponto de vista.

A história da Cindy, Num Papel Passado, tem a melhor narrativa, a que vou destacar. A Aimée Oliveira deu uma boa descrição e uma leitura fluida, fácil. Todos os contos de PCEA tem como característica essa leitura fácil, quase como se estivéssemos escutando tudo de uma amiga. Dá pra visualizar a cena perfeitamente, e imaginar um filme pra história (algo à la Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, quem sabe?). A descrição da Cinderela em si também foi muito boa, e a ambientação me divertiu também. Essa foi a história que eu mais gostei e li mais rápido, talvez por ter me identificado bastante com a personagem, apesar de não saber absolutamente nada de desenho. A Cindy tem uma certa teoria das cores, e acho que eu também!
Além da Cindy, a Aimée me encantou com o Thomas. Adoro histórias de amores que nascem de ambientes profissionais. Ainda mais por serem proibidos em vários lugares. A questão é que a tal equidistância que o Thomas queria ter não adiantou nada. Seus truquezinhos caíram por terra!

Já com a Lucy, eu gostei de entrar no universo do cinema. Os filmes sempre vêm prontos e incríveis pra gente, e mesmo já tendo uma ideia de como que funciona o processo de produção, eu pude entrar de cabeça nisso em Caneta na Mão, Problemas no Coração (ou algo assim, mas menos brega). O bom é que a Clara Savelli soube misturar na dose certa o romance e as realizações de Lucy. E isso foi super importante, afinal ela é muito jovem e está conseguindo um sucesso repentino que nunca imaginaria ser possível. E apesar de ser maravilhoso e gratificante, pode ser meio assustador, e com certeza requer muita responsabilidade.
Gostei muito do par dela, e do jeitinho meio louco de encarar a vida. De todas as meninas, a Lucy é mais animada, e acho super justo já que foi com ela e seu livro que tudo começou. Essa história tem uma narrativa um pouco mais simples que a anterior, até por em vários momentos ser um "diário" da personagem.

E a história da Ana Luna foi a mais curtinha. Por isso me deu a impressão de que tudo foi tão corrido. Quando parei pra ver o tantinho de páginas que a Thati Machado teve para escrever, aí ficou explicado. Em Finalmente, Ação! as coisas se desenrolam de uma maneira bem intensa. O foco nessa história não foi tanto como uma atriz iniciante se sentiria ao participar de um filme de sucesso, como eu pensei. O foco foi mais no romance, e isso foi bem legal. Nos esclareceu muitas dúvidas que tivemos durante as histórias anteriores, em que a Ana Luna aparecia bem de vez em quando. Uma das cenas que eu mais gostei, (que não foi em Finalmente, Ação!), foi a de um jantar que termina em festa para as três protagonistas. Nesse jantar é tanto mistério na Ana! Eu confesso que ela é bem diferente do que eu tinha julgado ser.

Bem, e no epílogo, escrito pelas três autoras, a gente descobre qual foi o final de cada uma das histórias. Todas elas dão na festa de ano novo, em que as amigas pensam quanta coisa mudou nesse ano que passou. Tudo ficou diferente, tudo que pensavam que iria acontecer foi não foi bem assim, mas de uma forma boa. Dá aquela sensação de que a história está só começando, que a vida delas está só começando. Que ser jovem é estar em constante metamorfose, e mesmo assim ter energia pra sobreviver a todas as mudanças.

Sobre o enredo, meus parabéns para as autoras! Eu me diverti muito com as histórias, e com a proposta apresentada. Ainda mais que eu relacionei tudo com minhas próprias amigas, por termos esses sonhos parecidos. Minha única crítica é com a revisão. Teve alguns erros ortográficos soltos por aí, e apesar de eles não atrapalharem a leitura, é sempre meio chato quando isso acontece :(

Papel, Caneta, e Ação é um livro que eu recomendo pra quem quer dar um break. Ótimo pra ler quando você está sem tempo, ou quando está de saco cheio. A linguagem simples facilita muito pra quem acabou uma leitura pesada há pouco tempo. E aí a história voa, passa rapidinho. Para quem se interessou e quiser adquirir, pode acessar o link na Amazon.

"─ Não é tarde demais para ninguém – eu me inclinei para ver as horas no relógio do computador ao lado dele. – Ainda são duas da tarde e eu não sou famosa.
─ Pare de se diminuir, você não é nem tão baixinha assim. E fez a capa de um livro que está virando filme. E se isso não é fama, ficar no melhor lugar da minha estante com certeza deve ser. Pelo menos pra mim..."

"E juro que um deles disse “meu Deus, Zac é um pitel”.
Não sei se fico mais chocada pelo adjetivo ou pela situação como um todo."

"Esse é o problema em querer ser artista... Quando uma pessoa decide se meter nesse meio é aconselhável que ela aceite que provavelmente que ela vá passar por algumas dificuldades no começo da sua carreira, quem sabe até no meio. É uma vida de caminhos incertos, mais labiríntica do que uma partida de Pac-Man."

"De alguma forma, o livro costurava a história de todos os presentes, mas principalmente a delas três, fundindo-as em uma só."