18 de julho de 2015

Bem-casados (série Quarteto de Noivas) - Nora Roberts


A série Quarteto de Noivas, de Nora Roberts tem seu terceiro livro! Bem-casados, ou Savor the Moment em inglês, conta a história da até então enigmática loirinha que faz comidas espetaculares. Ela é forte, inteligente, direta, cabeça dura, e pé no chão. Para as histórias anteriores, de Mac e Emma, veja as resenhas de Álbum de Casamento e Mar de Rosas.

Laurel McBane é a melhor confeiteira de Greenwich, e talvez até de um raio maior. Conseguiu vencer a barreira financeira pro curso dos seus sonhos com a ajuda de uma grande amiga, e hoje cria os bolos de casamento mais bonitos de todos. Ela sempre valorizou sua independência acima de tudo, e sua amizade com o Quarteto também. Talvez por isso, os relacionamentos sempre acabassem em segundo plano. É, esse é um dos motivos... O outro, é Delaney Brown

Advogado, Brown, e irmão da sua melhor amiga Parker, ele é o amor de Laurel desde que ela consegue se lembrar. Mas Del sempre viu as meninas como suas irmãs, e sempre as protegeu o tanto quanto pôde. De uns tempos para cá, ele começou a reparar o quanto Laurel é talentosa, bonita, e o quanto isso é estranho para ele. Até que, arretada do jeito que ela é, no meio de uma das várias brigas, ela o beija e paga para ver quais serão as consequências. 

Sentindo-se uma tola, Laurel abriu o envelope.
"Você pode pensar que isto acabou, mas está enganada. Sequestrei seus sapatos. Entre em contato comigo em até 48 horas ou será o fim dos Prada."
Laurel emitiu um som entre uma risada e um xingamento enquanto Parker lia por cima do seu ombro.

Eles então decidem entrar em um relacionamento para descobrir se isso daria certo. Uma transição um tanto esquisita, pelo menos para Del. Namorar alguém que foi desde muito cedo a amiga da sua irmã, e uma irmã para ele deveria ser um baque maior. Eu achei que faltou a Nora colocar um pouco de profundidade nessa questão. Só que o maior problema que Del e Laurel enfrentaram não foi essa mudança de relação, e sim as diferenças sociais.

Laurel não veio de uma família rica, e muito menos estruturada. Seus pais não lhe deram nada do suporte que uma criança precisa emocionalmente, e por isso a Sra Grady (personagem dez!), O Quarteto, e os pais de Parker supriram essa necessidade. Com a morte dos Browns, ela ficou tão afetada quanto Parker ou Del. Foi preciso que Laurel se virasse sozinha e tomasse as rédeas da própria vida muito cedo, enquanto Del tinha todo o conforto e atenção. E incrivelmente, isso fez dele uma pessoa ótima: íntegra, companheira, altruísta, e divertida. Laurel também se virou bem, e conseguiu se tornar quem ela sempre quis ser, mas quando começa a namorar Del, é criada uma certa tensão: as pessoas começam a julgá-la uma interesseira. E sim, isso mexe com ela e a faz ter a sensação de que não está onde pertence.

O romance dos dois (que é super cão e gato) tem um lugar privilegiado nos holofotes, mas Nora não deixa de nos bombardear com momentos das quatro amigas. E isso me conquistou, já que elas são os pilares dessa série. O grande barato de ler Quarteto de Noivas é, além de sonhar com as festas maravilhosas, ver incríveis amizades assim. Quantas pessoas tem laços tão fortes e a oportunidade de mantê-los fortes? É algo como a série Friends, em que todo mundo morava no mesmo prédio. Só que aqui foi melhor ainda: além de morarem juntas, elas podem trabalhar juntas e serem bem-sucedidas no que fazem.

As cenas nesse terceiro volume foram bem empolgantes. Gostei muito dos diálogos do casal e da dinâmica que o grupo todo ganhou. Desde Mar de Rosas eu estava esperando por essas férias na praia! Gosto muito da ambientação na Mansão com os eventos da Votos, mas foi legal dar uma variada. Ainda assim, Roberts nos deu as descrições da vida profissional da protagonista, no comecinho da história, e eu adorei isso — tive que largar o livro um pouco porque me deu vontade de fazer bolo, de tanto ler sobre eles —. 

Quando se tratava de sua arte, a perfeição não era apenas um objetivo. Para a confeitaria da Votos, era uma necessidade. Um bolo de casamento era mais do que assar e decorar, mais do que glacê e recheio. Assim como as fotos que Mac tirava eram mais do que imagens e os arranjos e buquês que Emma criava eram mais do que flores. Os detalhes, o planejamento e os desejos que Parker conciliava eram, no final, maiores do que a soma de suas partes.

Gostei mais de Bem-casados do que de Mar de Rosas, mas não tanto quanto o primeiro livro. O casal Del e Laurel me convenceu, porém senti que faltou profundidade. Eu esperava maiores descrições da família de Laurel, em que ponto Del se apaixonou por ela, e até dos pensamentos dele. Continuo recomendando a série para quem gosta de romances, mas estou um pouquinho decepcionada. Minhas expectativas estão todas nesse último livro, Felizes para Sempre (Happy Ever After), que será sobre a Parks. O par dela é muito legal, ela é uma ótima personagem — que felizmente teve uma maior visibilidade nesse terceiro volume—  , e os casamentos vão acontecer nesse desfecho. Então sim, estou animada! 


9 de julho de 2015

Sorteio de Férias: A Crônica do Matador do Rei!




Oi gente, tudo bem? Estão aproveitando as férias? Espero que sim, mas se vocês gostam de fantasia, elas podem ficar ainda melhores. Junto com a Samara do Infinitos Livros, a Nilda do blog Os Nós da Rede, e a Editora Arqueiro, vamos sortear uma das melhores sagas fantásticas da atualidade.

Nós achamos que o querido Pat – vulgo Patrick Rothfuss – está demorando um pouquinho (MUITO!) para lançar a conclusão da épica série A Crônica do Matador do Rei, então decidimos fazer esse sorteio com os três livros já lançados (2 da série e 1 spin-off) para ver se traz um pouco de sorte e o autor acaba com a angústia dos leitores para saber a continuação da saga de Kvothe!

Regras


  1. O participante deve preencher corretamente o formulário do Rafflecopter abaixo.
  2. O sorteio será encerrado no dia 22/07/2015 e o resultado sairá em até 5 dias.
  3. Cada blog se responsabilizará por um livro. 
  4. Os blogs terão 45 dias para enviar os livros após o envio do endereço pelo vencedor. 
  5. O ganhador será contactado via Facebook ou email e terá até 48h para responder. Caso não haja resposta, o sorteio será realizado novamente.
  6. É necessário um endereço de residência no Brasil .
  7. Não nos responsabilizamos por extravios ocorridos pelos correios .
  8. Colocar o email nos comentários para contato.

a Rafflecopter giveaway
5 de julho de 2015

Sorteio! Muitos prêmios com o aniversário do Confraria Cultural!


Julho é mês de férias e mês de festa! Em julho o blog Confraria Cultural comemora seu segundo aniversário e é claro que não poderíamos deixar a data passar em branco. Com a colaboração de blogs incríveis, editoras e autores que adoramos, preparamos uma comemoração recheada de prêmios para todos os gostos. Queremos que você, nosso leitor, receba nossos presentes como forma de agradecimento por nos acompanharem. Todos os kits foram preparados com carinho, e espero que a sorte esteja ao favor de vocês!

4 de julho de 2015

Por que assistir Orange Is the New Black?



Piper Chapman só se meteu em problemas enquanto namorava Alex Vause. As coisas eram boas demais entre as duas, e ao descobrir que todo o dinheiro que Alex tinha para viver vinha de uma rede de tráfico de drogas, Piper não se importou e resolveu tornar esse o seu negócio também.

Tudo acabou dando errado, e muito tempo, um noivo, e uma vida nova depois; Piper é descoberta pelos esquemas do passado e vai ter que cumprir pena no presídio de baixa segurança de Litchfield. Estava tudo bem, ela iria se casar com Larry quando saísse; afinal ele podia esperar alguns meses.

O problema dos presídios é que eles são feitos para desumanizar as pessoas. Extremar suas características, e não deixar que elas sejam as mesmas jamais. 

Completamente vulnerável e sem a menor ideia do que estava por vir, Piper precisa aprender as regras do jogo, e sair inteira de lá ao final da pena. Naquele microcosmo, tudo era diferente. Ter amigas ou aliadas é essencial, e não despertar a fúria das pessoas erradas mais ainda. Alex também está em Litchfield, então o início insuportável pode ficar muito reconfortante por ter ao menos um rosto conhecido naquela maré de mulheres "perigosas". Será que as duas se odeiam mesmo?


Algo que ouvimos falar, mas na maioria das vezes não vivenciamos





Todo mundo pode conhecer algum preso, ter visitado um presídio, escutado histórias, ou visto em filmes (pode ter sido preso também, mas espero que não no caso de vocês... Deve ser uma experiência nada legal). Uma série inteira retratando na maior parte do tempo o dia a dia de uma instituição que sabemos que existe, mas desejamos com todas as forças não precisar saber demais, é sim interessante. E Orange é pioneira a retratar a prisão de mulheres, com uma história feita por mulheres. Numa enxurrada de shows de TV e filmes em que um gênero está sempre em função de outro, podemos enfim ver uma série de qualidade quebrando tudo isso.

Com uma mescla perfeita de humor ácido, drama e suspense, vemos que pequenas coisas para nós, como um banho quente por exemplo, é algo que as detentas não tem nem em sonho. Os rolos, os esquemas para conseguir privilégios, a brigas por poder, a formação de laços familiares, de amizade ou românticos... Tudo isso acontece na prisão, mas de uma forma bem diferente da que vemos aqui fora. 

Não é algo totalmente novo, mas a abordagem de Orange Is the New Black nos coloca dentro desse universo, e nos faz sentir os temores que sentiríamos nessa situação. Um exemplo disso é no começo da primeira temporada, quando tudo era muito estranho para Piper e por isso Litchfield tinha para nós que assistimos um caráter amedrontador. Era algo novo que assustava, tudo era muito estranho: a Piper não tinha a menor ideia de como agir, e acabou criando muitos problemas pra si mesma por causa disso. Com o passar do tempo e dos episódios/temporadas, a prisão passa a ser mais como um lar. E isso nós também percebemos nos pequenos nuances, quando as detentas que conseguem sua tão sonhada liberdade não sabem o que fazer com ela, não se encaixam no mundo de fora.


Os personagens são incrivelmente bem construídos, e suas relações mais ainda






Talvez você pense que por ser uma prisão, as pessoas que vivem sob aquele teto são más. Um ponto que sempre me ganha nas histórias, é ter personagens bem construídas e reais. As personagens cinzas, com traços humanos, e não o maniqueísmo exacerbado que vemos em todos os clichês de heróis, mocinhas, e vilões. Aliás, mocinhas? Definitivamente não. E, na maioria das vezes, vilãs também não. 

Todas elas estão na cadeia por um motivo, isso é óbvio. Só que todas elas também são pessoas, que amam e temem, que dão risada e choram. E todas são super diferentes, tanto fisicamente como em personalidade, e isso enriquece muito o enredo, que vai ganhando complexidade a partir das ligações entre as personagens. A gente tem além de representatividade (negras, brancas, americanas, russas, latinas, orientais, velhas, jovens, gordas, magras, heterossexuais, bissexuais, homossexuais, católicas, wiccas, evangélicas, ateias, TUDO) uma réplica da realidade que vivemos entre esses grupos. Piper teve privilégios por ser branca classe média, um tipo que é a princípio considerado inapropriado pra estar em uma prisão ("boa moça de família"). As latinas e as negras não costumam se misturar muito, tanto que usam banheiros diferentes; aquelas chefonas que acabam conquistando mais poder e viram mães das outras presas são tão influentes para a paz quanto para rixas que acontecem eventualmente. 

E isso não se limita às detentas. O noivo de Piper, sua amiga Polly, e a família dela vão mostrando suas falhas e aos poucos começam a tratar a protagonista como um fardo, um problema que gostariam de esquecer em vez de dar a segurança que alguém nessa situação precisa. Os policiais nem sempre são honestos agentes da lei — um abusa do poder e desconta sua raiva em todo mundo, outro se apaixona por uma detenta, e outro executa suas funções da pior forma possível e não hesita em entrar num esquema de drogas —. O orientador não tem um pingo de ética e sempre age por seus impulsos emocionais, atribuindo a culpa para as mulheres presas das coisas que não vão bem com o casamento dele; a administração quase nunca está interessada em melhorias de verdade... Não parece completamente humano?

Falando em protagonista, eu me equivoquei. OITNB não tem protagonismo: todas as individualidades são exploradas e ganham sua vez na frente dos holofotes.


Um elenco espetacular, embora não muito conhecido — até agora!
































Com personagens complexas, vem a necessidade de atrizes incomparáveis, que pudessem trazer essa individualidade tão marcante. Porém, o cast é constituído por pessoas que já estavam desistindo de atuar. Eram gordas demais, "africanas" demais, peculiares demais pros filmes hollywoodianos e acabaram ficando pra escanteio. A atriz que interpreta Piper, Taylor Schilling, contou numa entrevista para a Rolling Stone que não aguentava mais pilhas de papéis em que ela representaria a melhor amiga de alguém, a namorada de alguém, ou a rival amorosa de alguém. Quando pegou o roteiro de OITNB, foi como uma luz no fim do túnel. Ela tinha uma personagem muito complexa na qual trabalhar: Piper é a princípio uma boa pessoa, mas tem traços egoístas e manipuladores que nos causam repulsa algumas vezes. E as histórias dela são dela, Piper não está nervosa hoje por uma TPM ou porque os homens a deixaram pra baixo.

Laverne Cox é hoje um ícone: não haviam transsexuais na TV se não fosse para retratar erotismo e prostituição. Sophia, sua personagem, foi presa por clonar cartões pro seu tratamento, e a denúncia foi feita por seu próprio filho. Ela foi casada antes, tinha uma família, e tudo só tornou as coisas mais difíceis. Laverne consegue imprimir todo o gênio de Sophia: a angústia no fundo, mas uma camada de humor ácido e habilidade com cabelos por cima, e o desespero para continuar sendo quem ela lutou tanto para conseguir ser — vulgo a aproximação interesseira, que depois resultou numa amizade, para conseguir seus comprimidos de hormônios com a freira Jane, quebrando o esteriótipo de que religião e tolerância não podem andar juntas.

Outro destaque incrível é a atriz Uzo Aduba (nigeriana-americana, yay!), que interpreta Suzanne Warren, mais conhecida como Crazy Eyes. Suzanne tem problemas psicológicos e é fantástica a maneira com que Uzo torna isso real. Kate Mulgrew como Red, a ruiva russa da cozinha; Natasha Lyonne, como Nicky; e Yael Stone como Lorna Morello, que também tem sua cota de problemas psicológicos (não tão óbvios quanto os de Crazy Eyes) também seguem fazendo um trabalho maravilhoso.


Além de inovador, é real: tudo isso veio de algum lugar



A série, criada por Jenji Kohan (que também é a autora de Weeds), foi baseada no livro homônimo de Piper Kerman. Em Orange Is the New Black: My Year in a Women's Prison, as coisas não são tão empolgantes, já que a ficção só se chama ficção... Se tiver sua cota de ficção. Mesmo assim muita coisa é fiel às memórias de Kerman.

E a abertura, que pode te revirar o estômago de angústia no começo também é super real. Todas as imagens são de detentas de verdade, com a música incrível e que combina como arroz e feijão, You've Got Time, de Regina Spektor.


A série está na terceira temporada, e já tem a quarta renovada! O lançamento aqui e nos Estados Unidos é sempre simultâneo, pela Netflix.
3 de julho de 2015

O Príncipe de Westeros e Outras Histórias: um livro todinho sobre canalhas!

Eu nunca tinha lido uma antologia (tirando aqueles compilados de livros infantis) e não sabia muito bem o que esperar. Assim como eu imaginei, O Príncipe de Westeros possui trabalhos ótimos, e também umas poucas histórias meio sonolentas — eu gostei delas mesmo assim e achei que valeu a leitura, mas vi muita gente que odiou. 

Falando do livro como um todo, é muito bom. Os autores selecionados já eram sólidos e consistentes com suas obras anteriores, e deram uma ótima contribuição para a ideia maluca do Martin. O tema em comum é canalhas, pessoas que não são feitas todas de luz e florzinhas. São os tais personagens cinzas, como os d'As Crônicas de Gelo e Fogo, por exemplo. Ah, e não pense que vai ter fantasia épica da primeira à ultima página; muito pelo contrário: quase todos os gêneros se encontram aqui, desde a tal fantasia (que é o que quase todo mundo está procurando ao ver o título) até comédia, suspense, e investigação policial. 

"Todo mundo ama um canalha... Embora, às vezes, a gente sobreviva para se arrepender. Desavergonhados, vigaristas e malandros. Vagabundos, ladrões, trapaceiros e crápulas. Meninos e meninas maus. Ludibriadores, sedutores, enganadores, burladores, impostores, fraudadores, falsários, mentirosos, malvados, charlatões... Eles têm muitos nomes, aparecem em histórias de todos os tipos, em todo e qualquer gênero, em mitos e lendas... Ah, e também em todos os lugares na História. São filhos de Loki, irmãos do Coiote. Às vezes são heróis. Outras, vilões. Mas costumam ficar num ponto intermediário, personagens numa zona cinzenta... E cinza tem sido minha cor favorita há tempos. É muito mais interessante que o preto ou o branco. [...]" — Introdução de George R. R. Martin

O livro, que faz parte da Coleção Bang!, foi lançado pela Editora Saída de Emergência. Organizado por George R. R. Martin e Gardner Dozois, as dez histórias são de Neil Gaiman, David W. Ball, Gillian Flynn, Paul Cornell, Scott Lynch, Phyllis Eisenstein, Joe R. Lansdale, Patrick Rothfuss, e Connie Willis.

Sobre a estética e a diagramação, mil vivas! Eu amo livro bonito, dá mais ânimo para ler. A capa brasileira ficou muito melhor do que a versão gringa, e as páginas pretas a cada novo conto deixam tudo organizadinho. Há também, antes de cada história, uma página falando sobre o autor que a escreveu (biografia, livros, prêmios recebidos, etc) e isso nos facilita a reconhecê-lo de outros carnavais ou mesmo procurá-lo depois do sentimento de amor eterno ao ler a parte dele em O Príncipe.

























Como é um livro de vários autores e com muitas histórias diferentes, vou falar um pouquinho de cada uma   do que se trata, quem escreveu, e o que achei dela  sem me aprofundar muito para não estragar as surpresas de vocês. Enjoy it!

1. Como o Marquês recuperou seu casaco - Neil Gaiman: Na Londres de Baixo, de seu livro Lugar Nenhum, Neil nos mostra as aventuras do Marquês de Carabas, que perdeu seu bem mais precioso: o casaco. Não era um casaco qualquer, ele permitia ao Marquês ser o Marquês, com seus bolsos incomuns/ mangas magníficas/ gola imponente/ fenda nas costas. Ele terá que escapar de um Elefante vingativo, ajudar um homem Cogumelo, e sair com vida do Arbusto do Pastor. Essa foi sem sombra de dúvida minha história preferida! Muita fantasia e Gaiman na melhor forma.

2. Proveniência - David W. Ball: Aqui a coisa muda completamente de figura. De fantasia, vamos para ficção histórica. O conto é sobre a proveniência de uma obra de Caravaggio, que estava supostamente perdida. Max Wolf, um dono de uma galeria de arte, conhecido por atuar no submundo do comércio, localiza o Caravaggio através de um misterioso contato, e já tem um comprador em mente: O Reverendo Joe Cooley Barber, colecionador que não se importa com preço. Com as negociações, ele conta para Joe toda a trajetória da obra. O Caravaggio percorreu um longo caminho até a atualidade, passando por um general nazista, vendedores de armas da America do Sul, e muitos trapaceiros. Essa história não foi tão empolgante pra mim no começo, só comecei a me interessar mesmo lá pro meio, quando Max mostra as peças do mistério. O final foi surpreendente, fiquei atônita.

3. Qual é a sua profissão? - Gillian Flynn: Nossa protagonista não se considera prostituta, já que ela só masturba homens. E teve que parar, pois era a melhor nisso e seu pulso não aguentava mais. Conhecendo o problema e as ótimas habilidades de Nerdy em sempre dizer o que as pessoas querem ouvir, sua chefe a promoveu. Nerdy agora era médium vidente, e faria coisas como ler o futuro e limpar auras. Esse negócio funcionava relativamente bem: as mulheres queriam se consultar sobre a situação dos seus casamentos, e os homens já de saco cheio dos mesmos vinham comprar prazer lá nos fundos do estabelecimento com alguém que não era sua esposa. Se as mulheres escutavam algo estranho, sempre havia a desculpa do cão filhote. Nerdy enrolava bastante bem suas novas clientes, mas Susan a deixou perturbada. A mulher rica com uma casa assombrada e um enteado que é aparentemente um psicopata está em total desespero. Nerdy decide lucrar com essa vulnerabilidade de Susan, mas acaba se metendo em um perigo enorme. Amei essa história! Gillian conseguiu fazer algo divertido, sombrio, misterioso, e que quebrou minha cabeça. Mesmo depois do final, eu não sei quem estava mentindo.

4. Um jeito melhor de morrer - Paul Cornell: Se passa em um Reino Unido do século XIX paralelo. O espião Major Jonathan Hamilton vai precisar fazer algo doloroso: matar seu eu mais jovem. Definitivamente não me agradou! Talvez tivesse agradado se Cornell tivesse dado informações suficientes para entender a história. É tudo apresentado como se já conhecêssemos o universo, o personagem, a lógica da sua sociedade, seus termos.... Fiquei confusa o tempo todo e não consegui aproveitar o que quer que o autor quisesse me passar. 

5. Um ano e um dia na velha Theradane - Scott Lynch: Amarelle Paratis, em seu auge, foi apelidada de A Duquesa Invisível. A ladra está agora aposentada pois não quer virar uma das estátuas que protegem Theradane por toda a eternidade. Sua diversão é jogar com seus antigos companheiros de aventura e beber muito. Mas numa dessas noites, as brigas dos magos (que nunca terminavam) atingem a taverna Marca do Fogo Caído. Amarelle, que perdeu completamente as estribeiras com efeito do álcool, vai procurar a maga Ivovandas para reclamar por ela ter interrompido o seu jogo e sua bebedeira. Amarelle não mede bem as palavras, mas por sorte, Ivovandas prefere que ela lhe seja útil em vez de morrer. A Duquesa Invisível terá que voltar e roubar algo totalmente impossível no prazo de um ano e um dia, e felizmente, isso preservará a sua vida e terminará com as brigas. Porém, se ela for descoberta roubando de novo, vai passar o resto de seus dias bem imóvel. Uma das melhores histórias! Criativa, empolgante, muito bem escrita. Queria muito contar o que Amarelle tem que roubar, mas estragaria toda a surpresa. Apenas saibam que isso está longe de ser algum daqueles objetos mágicos clichês que não aguentamos mais ver em fantasias.

6. A caravana para lugar nenhum - Phyllis Eisenstein: Alaric era um ótimo bardo, e tinha um poder incomum: podia viajar em um instante para qualquer lugar que quisesse. Uma noite, um chefe de uma caravana o convida para viajar nela, e animar os homens com sua música. Alaric aceita, e vai ter que lidar com motins de trapaceiros, espíritos malignos e miragens do deserto. Foi uma boa história, mas não uma das minhas preferidas.

7. Galho envergado - Joe R. Lansdale: Hap precisa salvar Tillie, filha da sua ruiva, de novo. Com a ajuda do seu irmão Leonard, eles vão ter que descobrir onde ela está e como tirá-la de lá. Provavelmente Tillie vai voltar pro mundo das drogas e da prostituição em pouco tempo, mas essa era uma missão tão perigosa e necessária como todas as outras, e Hap não podia deixar Brett na mão. Contra traficantes e cafetões, eles vão seguindo as pistas e dando várias porradas pelo caminho. Uma das melhores também! Essa história me prendeu da primeira até a última linha, e eu que nunca tinha lido nada do gênero, descobri que gosto bastante. As cenas de ação e o mistério são imperdíveis.

8. A Árvore Reluzente - Patrick Rothfuss: É sobre o dia de Bast, aprendiz de Kvothe (agora Kote) na hospedaria Marco do Percurso. Bast não é um rapaz comum, ele é um Encantado, e todos os Encantados são muito intrigantes e misteriosos. Pela manhã, Bast ajuda as crianças que o procuram na Árvore Reluzente a resolver seus problemas, por algum preço. Depois suas aventuras (que estão ligadas com os problemas dessas crianças) vão levá-lo à uma fazenda triste, ao banho de uma donzela, e uma confusão na hospedaria. E parece que Bast é muito bom em solucionar todos os problemas com uma ação discreta. É óbvio que os fãs d'As Crônicas do Matador do Rei vão apreciar muito mais essa história (é claro, estamos esperando por ela há tempos!), mas se você não leu nenhum dos livros do Patrick, não se preocupe. Ela é muito boa mesmo, e pode te dar aquele empurrãozinho para começar a série, e eu aposto que não haveria espaço para arrependimentos. 

9. Em cartaz - Connie Willis: Lindsay é completamente apaixonada por cinema, e seu ex namorado também é. Pena que Jack é um completo canalha. Ele tinha prometido ir assistir Christmas Caper com Lindsay, quando ainda estavam juntos. Ela vai com as amigas, e claro que ele também foi para lá. Mas não para ver Christmas Caper, e sim para tentar desmascarar o plano de marketing muito bem sucedido dos Drones, os cinemas futurísticos em que era possível passar a vida inteira se você tivesse dinheiro suficiente. Ou será que tudo isso era só mais uma das suas mentiras? Gostei do conto da Connie, muito divertido!

10. O príncipe de Westeros ou O irmão do rei - George R. R. Martin: No conto que dá nome ao livro, Martin transcreve as considerações anotadas pelo Arquimeistre Gyldayn, de Vilavelha, sobre Daemon Targaryen. Irmão do rei Viserys I, ele nunca chegaria ao trono, mas teria uma vida pregressa, muitas aventuras e casamentos. E uma quantidade infinita de boatos a seu respeito. De novo uma história que provavelmente agradará muito mais aos fãs de Martin e d'As Crônicas de Gelo e Fogo do que alguém que caiu de paraquedas. Nesse conto podemos conhecer mais sobre a dinastia Targaryen e como o reino era antes da Guerra dos Tronos. Eu não gostei muito do estilo narrativo de um livro de História, mas compreendo que ele serve para dar uma ideia de que tudo isso é muito antigo e distante, e pode abranger vários lados e um grande período de tempo.