14 de agosto de 2015

3 Motivos para ler (e amar) Khaled Hosseini [Blogagem Coletiva #1]


Boa tarde aos navegantes! Aqui vai o primeiro post de uma blogagem coletiva com gente super especial. A nossa intenção é indicar escritoras e escritores bacanas mensalmente, sempre tentando persuadir vocês da melhor maneira possível de que a pessoa em questão é puro amor e não estamos loucas. O escritor que escolhi para hoje é Khaled Hosseini, autor de O Caçador de Pipas, A Cidade do Sol, e O Silêncio das Montanhas.

  • Delas: Celly escreveu sobre Joseph Delaney, Cris sobre Neil Gaiman, Samy sobre Lemony Snicket, e Camila sobre o nunca-fora-de-moda Tolkien. 


1- Direto do Departamento de Milagres: NÃO são histórias ocidentais e muito menos a caveira do Islã

Tudo que ouvimos aqui no lado oeste da Bruxa Verde sobre o Afeganistão se resume em: talibãs, talibãs, e mais talibãs. Um tiquinho de "terrorismo", uma pitada de guerra, um tanto mais de "palco de conflitos Índia-Paquistão", radicais islâmicos e voilà: pintamos a cara de uma nação inteira. E ainda não teve internet suficiente que mudasse aos nossos olhos esse quadro malfeito.

Chimamanda Adichie já nos contou os perigos de uma história da qual só sabemos um lado, e isso acontece diariamente, sem que a gente possa perceber. Registramos em nossas mentes pobreza para África, extremismo para Ásia (só a parte muçulmana, afinal... adoramos sushi!), não sabemos nem o que é e para que serve a Oceania, e sonhamos com o mundo mágico e civilizado da Europa/ América do Norte — mas claro que o México não conta, já que lá é um formigueiro de gente comendo qualquer coisa encharcada de pimenta enquanto tenta passar ilegalmente pela fronteira dos EUA. Duro, rude? Estúpido e mesquinho? Não tenha a menor dúvida. Exatamente por isso é importante valorizar autores que trazem a essência verdadeira de seu país, com todas as facetas que ele possui. Dessa maneira, a neblina de ignorância se dissipa, e fica fácil perceber que nós humanos não somos tão diferentes assim.

É a primeira vez que alguém fala e é ouvido por tanta gente sobre o Afeganistão, e não sobre algum contexto de problemas que o envolva. É hora de descobrir a cultura, e Khaled é puro amor: conta histórias de afegãos incríveis, pessoas complexas, cheias de vida, assim como eu e você. 


2- Ele também é médico, e sabe da dor que assola nossas pequenas existências

E não tô falando só da física, não. O Caçador de Pipas (The Kite Runner) arrancou-me algumas boas lágrimas, verdade seja dita. Os livros de Khaled são cheios de sentimento, cheios de humanidade. São personagens fortes, que cometem vários deslizes e assistem o passado surgindo para cobrar suas multas pelo enterro dissimulado. A relação de Amir e Hassan é inegavelmente bela, mas falha. Hassan é um criado hazara (etnia bem discriminada pelos pashtuns, que são maioria afegã) que fez de seu amo, amigo. Ele assume vários riscos por Amir, e sempre o perdoa. Porém, Amir, mesmo com toda essa ligação e amor por Hassan, é muitas vezes orgulhoso, frio, ressentido, e até cruel. O tempo passa, eles não são mais crianças, Afeganistão Monárquico já não existe, e as coisas pioram. As pessoas fogem, viram refugiadas. Vários elos se perdem. Toda essa dor se acumula.

Já em A Cidade do Sol (A Thousand Splendid Suns) por suas duas personagens, Mariam e Laila, Khaled mostra um flash da vida da maioria das mulheres afegãs. Casadas com Rashid, elas sofrem todo tipo de coisa, e somente juntas conseguem enfrentar a situação. Pena que é tão difícil ter um final feliz para histórias dessas na vida real. Mariam era harami (bastarda) e pobre, e foi vendida pelo próprio pai que sempre foi ausente em sua infância. Odiava Rashid, e odiou ainda mais quando ele resolveu se casar com Laila também. Laila era jovem, muito bonita, e tinha uma vida ótima toda programada. Sua família era mais progressista, então ela foi alfabetizada. Laila tinha até mesmo um homem que amava. Quando um míssil explode sua casa (ah, a guerra!), ela se torna órfã. Rashid, como o cara bondoso ao extremo que ele é, cuida de Laila só para que ela seja obrigada a se casar com ele. A Cidade do Sol tem sacrifício, tem amizade, tem injustiça... Tem pessoas de carne e o osso.


3- The Khaled Hosseini Foundation

"Meu sucesso como escritor abriu muitas portas para mim, e uma das coisas que são mais gratificantes, é ter a oportunidade de realizar o que eu acredito. A fundação que criei com a minha esposa é um exemplo disso. Ela é feita para as pessoas sobre as quais eu venho escrevendo. Quer dizer, elas estão nos meus livros, estão nas páginas em que eu retratei seu sofrimento, seus infortúnios, seus triunfos, suas histórias, e suas almas. Mas são pessoas reais que deram vida para as histórias. Então, eu senti que seria justo e adequado, que eu deveria fazer algo para o bem delas." — Khaled Hosseini speaks about his foundation 

A fundação ajuda refugiados afegãos (principalmente mulheres e crianças) com assistência humanitária, abrigo, educação, e cuidados médicos. Isso é realizado com doações e com a venda de produtos manufaturados. Os artesanatos são lindos, feitos pelas próprias mulheres da fundação — bolsas, pulseiras, e até marcadores de livros que parecem tapetinhos! ❤

Melhor ainda do que um bom escritor que conta histórias silenciadas, é um bom escritor que se preocupa em melhorar a vida das pessoas dessas histórias. 
10 de agosto de 2015

Sandman: Os Caçadores de Sonhos - Neil Gaiman e Yoshitaka Amano


Você não vai encontrar por aí muita gente imparcial se tratando de Neil Gaiman, e com razão. Então, desculpe, mas vai ser difícil para mim também. Os Caçadores de Sonhos é um trabalho antigo: foi lançado pela primeira vez em comemoração ao décimo aniversário de Sandman. Em vez dos quadrinhos, o livro é em prosa com ilustrações. E resultado foi uma verdadeira obra de arte.


E aí que está o ponto. Yoshitaka Amano, que você talvez conheça de outros carnavais (Final Fantasy, Vampire Hunter, Elektra & Wolverine: O Redentor) é um ilustrador maravilhoso, e o melhor possível para a proposta de Os Caçadores de Sonhos. Os desenhos casaram perfeitamente com a atmosfera onírica japonesa. Quando eu vi por 22 reais na Saraiva, comprei na hora ❤


A releitura (que na verdade não é releitura coisíssima nenhuma, e sim puro fruto da cabeça de Gaiman) do conto japonês A Raposa, o Monge e o Mikado dos Sonhos, fala de amor e sacrifício. Com muita mitologia e tragédia (e até vingança) no meio, tal qual os contos japoneses. Após perder uma aposta com seu amigo texugo de expulsar um monge ermitão de seu templo, a raposa se apaixona por ele, e decide ficar para sempre a seu lado.


Certo dia, ela escuta uma conversa muito estranha de um grupo de demônios,e descobre que seu monge vai morrer em breve, com três pesadelos. Na terceira noite ele não acordaria mais. Resignada, procura pelos baku, devoradores de sonhos. Mas nada podia ser feito, a única maneira de impedir que a vida do monge fosse levada, era dando sua em troca. 


Quando acha a raposinha inerte no chão, depois de três dias, o monge corre procurando ajuda. E o Rei dos Sonhos (olá queridíssimo Sand!) mesmo sendo uma opção ariscada, é a única. Cenas encantadoras e entorpecedoras recheiam esse livro, fazendo a gente sonhar também.


Mais uma vez Gaiman não me decepcionou (muito pelo contrário!), embora tenha sido algo bem diferente das outras coisas que li dele. Talvez quem já leu Sandman não tenha sentido essa certa estranheza, mas pode acreditar, é ótimo se sentir estranho às vezes. Os Caçadores de Sonhos é um livro para ler numa tarde de chuva preguiçosa, ou se você ousar, antes de dormir. O romance é belo e as ilustrações estonteantes. Depois de ler com certeza vai dar aquela vontade de guardar num espaço bem visível da estante. É muito, muito amor!
18 de julho de 2015

Bem-casados (série Quarteto de Noivas) - Nora Roberts


A série Quarteto de Noivas, de Nora Roberts tem seu terceiro livro! Bem-casados, ou Savor the Moment em inglês, conta a história da até então enigmática loirinha que faz comidas espetaculares. Ela é forte, inteligente, direta, cabeça dura, e pé no chão. Para as histórias anteriores, de Mac e Emma, veja as resenhas de Álbum de Casamento e Mar de Rosas.

Laurel McBane é a melhor confeiteira de Greenwich, e talvez até de um raio maior. Conseguiu vencer a barreira financeira pro curso dos seus sonhos com a ajuda de uma grande amiga, e hoje cria os bolos de casamento mais bonitos de todos. Ela sempre valorizou sua independência acima de tudo, e sua amizade com o Quarteto também. Talvez por isso, os relacionamentos sempre acabassem em segundo plano. É, esse é um dos motivos... O outro, é Delaney Brown

Advogado, Brown, e irmão da sua melhor amiga Parker, ele é o amor de Laurel desde que ela consegue se lembrar. Mas Del sempre viu as meninas como suas irmãs, e sempre as protegeu o tanto quanto pôde. De uns tempos para cá, ele começou a reparar o quanto Laurel é talentosa, bonita, e o quanto isso é estranho para ele. Até que, arretada do jeito que ela é, no meio de uma das várias brigas, ela o beija e paga para ver quais serão as consequências. 

Sentindo-se uma tola, Laurel abriu o envelope.
"Você pode pensar que isto acabou, mas está enganada. Sequestrei seus sapatos. Entre em contato comigo em até 48 horas ou será o fim dos Prada."
Laurel emitiu um som entre uma risada e um xingamento enquanto Parker lia por cima do seu ombro.

Eles então decidem entrar em um relacionamento para descobrir se isso daria certo. Uma transição um tanto esquisita, pelo menos para Del. Namorar alguém que foi desde muito cedo a amiga da sua irmã, e uma irmã para ele deveria ser um baque maior. Eu achei que faltou a Nora colocar um pouco de profundidade nessa questão. Só que o maior problema que Del e Laurel enfrentaram não foi essa mudança de relação, e sim as diferenças sociais.

Laurel não veio de uma família rica, e muito menos estruturada. Seus pais não lhe deram nada do suporte que uma criança precisa emocionalmente, e por isso a Sra Grady (personagem dez!), O Quarteto, e os pais de Parker supriram essa necessidade. Com a morte dos Browns, ela ficou tão afetada quanto Parker ou Del. Foi preciso que Laurel se virasse sozinha e tomasse as rédeas da própria vida muito cedo, enquanto Del tinha todo o conforto e atenção. E incrivelmente, isso fez dele uma pessoa ótima: íntegra, companheira, altruísta, e divertida. Laurel também se virou bem, e conseguiu se tornar quem ela sempre quis ser, mas quando começa a namorar Del, é criada uma certa tensão: as pessoas começam a julgá-la uma interesseira. E sim, isso mexe com ela e a faz ter a sensação de que não está onde pertence.

O romance dos dois (que é super cão e gato) tem um lugar privilegiado nos holofotes, mas Nora não deixa de nos bombardear com momentos das quatro amigas. E isso me conquistou, já que elas são os pilares dessa série. O grande barato de ler Quarteto de Noivas é, além de sonhar com as festas maravilhosas, ver incríveis amizades assim. Quantas pessoas tem laços tão fortes e a oportunidade de mantê-los fortes? É algo como a série Friends, em que todo mundo morava no mesmo prédio. Só que aqui foi melhor ainda: além de morarem juntas, elas podem trabalhar juntas e serem bem-sucedidas no que fazem.

As cenas nesse terceiro volume foram bem empolgantes. Gostei muito dos diálogos do casal e da dinâmica que o grupo todo ganhou. Desde Mar de Rosas eu estava esperando por essas férias na praia! Gosto muito da ambientação na Mansão com os eventos da Votos, mas foi legal dar uma variada. Ainda assim, Roberts nos deu as descrições da vida profissional da protagonista, no comecinho da história, e eu adorei isso — tive que largar o livro um pouco porque me deu vontade de fazer bolo, de tanto ler sobre eles —. 

Quando se tratava de sua arte, a perfeição não era apenas um objetivo. Para a confeitaria da Votos, era uma necessidade. Um bolo de casamento era mais do que assar e decorar, mais do que glacê e recheio. Assim como as fotos que Mac tirava eram mais do que imagens e os arranjos e buquês que Emma criava eram mais do que flores. Os detalhes, o planejamento e os desejos que Parker conciliava eram, no final, maiores do que a soma de suas partes.

Gostei mais de Bem-casados do que de Mar de Rosas, mas não tanto quanto o primeiro livro. O casal Del e Laurel me convenceu, porém senti que faltou profundidade. Eu esperava maiores descrições da família de Laurel, em que ponto Del se apaixonou por ela, e até dos pensamentos dele. Continuo recomendando a série para quem gosta de romances, mas estou um pouquinho decepcionada. Minhas expectativas estão todas nesse último livro, Felizes para Sempre (Happy Ever After), que será sobre a Parks. O par dela é muito legal, ela é uma ótima personagem — que felizmente teve uma maior visibilidade nesse terceiro volume—  , e os casamentos vão acontecer nesse desfecho. Então sim, estou animada! 


9 de julho de 2015

[RESULTADO!] Sorteio de Férias: A Crônica do Matador do Rei!









Sorteio encerrado! A ganhadora foi a Thaísa Barros! Parabéns Thaísa! Entraremos em contato para que você receba seus prêmios!

Oi gente, tudo bem? Estão aproveitando as férias? Espero que sim, mas se vocês gostam de fantasia, elas podem ficar ainda melhores. Junto com a Samara do Infinitos Livros, a Nilda do blog Os Nós da Rede, e a Editora Arqueiro, vamos sortear uma das melhores sagas fantásticas da atualidade.

Nós achamos que o querido Pat – vulgo Patrick Rothfuss – está demorando um pouquinho (MUITO!) para lançar a conclusão da épica série A Crônica do Matador do Rei, então decidimos fazer esse sorteio com os três livros já lançados (2 da série e 1 spin-off) para ver se traz um pouco de sorte e o autor acaba com a angústia dos leitores para saber a continuação da saga de Kvothe!

Regras


  1. O participante deve preencher corretamente o formulário do Rafflecopter abaixo.
  2. O sorteio será encerrado no dia 22/07/2015 e o resultado sairá em até 5 dias.
  3. Cada blog se responsabilizará por um livro. 
  4. Os blogs terão 45 dias para enviar os livros após o envio do endereço pelo vencedor. 
  5. O ganhador será contactado via Facebook ou email e terá até 48h para responder. Caso não haja resposta, o sorteio será realizado novamente.
  6. É necessário um endereço de residência no Brasil .
  7. Não nos responsabilizamos por extravios ocorridos pelos correios .
  8. Colocar o email nos comentários para contato.

a Rafflecopter giveaway
5 de julho de 2015

Sorteio! Muitos prêmios com o aniversário do Confraria Cultural!


Julho é mês de férias e mês de festa! Em julho o blog Confraria Cultural comemora seu segundo aniversário e é claro que não poderíamos deixar a data passar em branco. Com a colaboração de blogs incríveis, editoras e autores que adoramos, preparamos uma comemoração recheada de prêmios para todos os gostos. Queremos que você, nosso leitor, receba nossos presentes como forma de agradecimento por nos acompanharem. Todos os kits foram preparados com carinho, e espero que a sorte esteja ao favor de vocês!